Dívidas da Arena é de R$ 70 milhões; estádio não tem problemas graves

Com infiltrações, goteiras na subestação elétrica, problemas de drenagem de águas pluviais, risco de queda de forro e praga no gramado, a Arena Pantanal deve ter uso restrito para o Campeonato Mato-grossense de Futebol. Nesta sexta-feira (23.01), o secretário extraordinário do Gabinete de Projetos Estratégicos, Gustavo Oliveira, deve se reunir com representantes da Federação Matogrossense de Futebol (FMF) e na segunda-feira (26) está marcada uma vistoria no gramado. Apenas no dia 27 de janeiro será possível saber se o evento será ou não realizado no estádio. Gustavo Oliveira garante que os problemas apresentados não são de grandes proporções, mas há risco de torcedores escorregarem, além da possibilidade das chuvas derrubarem o sistema elétrico e eletrônico nos dias de jogos. “Não se trata de uma interdição, que nada pode ser feito, mas uma restrição de pessoas. Hoje poderia receber até 4 mil pessoas, mas esse número é insuficiente para o campeonato. A arena não tem problemas graves para uma interdição, não há risco estrutural iminente, mas precisamos ampliar essa capacidade para os jogos”, explicou.
A situação da Arena Pantanal foi comunicada para o secretário extraordinário do Gabinete de Projetos Estratégicos no dia 3 de janeiro. Ele disse que no início do mês chegou a acreditar que a realização do campeonato no local não seria possível, mas pelo andamento dos reparos são grandes as chances de que o espaço seja aberto de forma restrita. “Abrir o estádio para uma grande quantidade de pessoas sem a responsabilização de minimizar os riscos não é admissível. Podemos abrir alguns setores ou apenas os anéis inferiores, mas isso será debatido com a federação”. Na quarta-feira (21.01) uma vistoria foi realizada no estádio com a participação de representantes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros para verificar itens apontados no relatório da auditoria, contudo, outros problemas surgiram devido às chuvas. “A FMF esta ciente de tudo, desde o começo, e esta empenhada em nos ajudar na tarefa para achar equipe técnica para recuperar o gramado. A arena funcionou bem durante a Copa do Mundo, mas com a intensificação das chuvas, os problemas que na seca não apareciam passaram a aparecer”. Conforme Gustavo de Oliveira, a construtora não se furtou de realizar os reparos de problemas não detectados na época da construção, principalmente problemas de drenagem no subsolo. “Alguns problemas são de projeto e não de execução da obra”. Caso os reparos sejam realizados a tempo, o campeonato estadual de futebol deve ocorrer na Arena Pantanal. Com o fim dos jogos, o estádio deve ser fechado por um curto período de tempo para a conclusão das reformas. A construtora Mendes Júnior deve apresentar ao Governo do Estado um cronograma para a conclusão da obra até o final de fevereiro. Oliveira informou ainda que apesar da equipe do Gabinete de Projetos Estratégicos já estar debruçada sobre o modelo de concessão do estádio, ainda é cedo para falar sobre o assunto enquanto a Arena Pantanal não estiver concluída. O uso do entorno do estádio não deve ser restringido, mas o governador Pedro Taques determinou um novo projeto urbanístico para o entorno da Arena Pantanal e a obra do restaurante deve fazer parte dessa readequação. Os custos do reparo na Arena Pantanal ainda não foram calculados, mas o secretário extraordinário Gustavo Oliveira disse que até sábado (24.01) eles serão conhecidos. “Alguns reparos serão arcados pelos fornecedores como goteiras e uma torre de ar condicionado, outros pela FMF como a praga no gramado e outros reparos o governo vai pagar, mas são de pequena monta”. Pagamento pendente A Construtora Mendes Júnior apresentou planilhas que apontam que ainda restam R$ 70 milhões a ser pagos pelas obras da Arena Pantanal. Os valores ainda são auditados pela Controladoria Geral do Estado. Nenhum valor será pago sem que passe pelo crivo de uma análise apurada por auditores. O secretário-controlador Geral, Ciro Gonçalves, disse que as pendências construtivas da Arena Pantanal foram concluídas em 3 de janeiro e o relatório foi entregue na terça-feira (20.01) ao governador Pedro Taques e até a primeira quinzena de fevereiro, a análise sobre os custos financeiros será concluído. “Já estamos analisando as planilhas para conferir as medições, os valores pagos e o que ficou pendente”.