Metade dos pacientes que já tiveram cálculo renal pode ter outro dentro de cinco anos, aponta especialista

Se você já teve uma pedra nos rins, certamente se lembra dela. A dor pode ser quase insuportável – surgindo em ondas até que a minúscula pedra passe por seu trato urinário e saia do corpo, o que nem sempre acontece naturalmente. Para muitos, cálculos renais (popularmente conhecidos como “pedras nos rins”) não são uma coisa única: em cerca da metade das pessoas que tiveram um, outro aparece dentro de cinco anos.
Os dados foram reforçados pelo membro da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), da Endourological Society e da American Urological Association (AUA), o médico urologista Antonio Côrrea Lopes Neto, durante o curso internacional Stone Day – um treinamento avançado em ureteroscopia digital para tratamento de cálculos renais de até dois centímetros por meio de um procedimento minimamente invasivo, sem necessidade de corte, realizado na última sexta (25) e sábado (26), em Cuiabá.
Conforme explicou o médico urologista, a litíase urinária atinge atualmente aproximadamente 10% da população, com alta possibilidade de recidiva. “São pacientes que podem requerer procedimentos cirúrgicos várias vezes no decorrer da vida. Logo, quanto menos invasivo e agressivo for o tratamento, maior será o beneficio para eles: a recuperação será melhor e a morbidade do procedimento será menor. É o caso da ureterorrenoscopia, que é o procedimento mais utilizado para tratar cálculos no rim e no ureter”.
O especialista, que também é professor da disciplina de Urologia da Faculdade de Medicina do ABC e gestor da Urologia no HCor, reforçou que tratamentos altamente tecnológicos exigem que os profissionais se familiarizem tanto com a técnica quanto com os equipamentos – como o ureteroscópio flexível (LithoVue), que possui imagem digital de alta resolução e campo de imagem aumentado, o que garante um procedimento mais seguro e rápido.
“Esse aparelho altamente tecnológico, por exemplo, oferece uma visão muito boa para tratar um cálculo urinário. Torna o procedimento cirúrgico pouco invasivo e o pós-operatório mais confortável. Inclusive, sendo um sucesso o tratamento, o profissional, mediante rotina, está autorizado a dar alta para o paciente até no mesmo dia do procedimento. E o paciente volta muito rápido para suas atividades habituais – como trabalhar e realizar atividades físicas. Ou seja, não tem a vida interrompida por causa do tratamento”, ponderou Antonio.
CIRURGIAS AO VIVO – Durante a manhã de sábado (26), duas cirurgias foram transmitidas ao vivo para o evento, o que permitiu com que todos os 30 participantes (médicos urologistas e residentes em urologia) assistissem em tempo real os procedimentos. Tal aproximação proporcionou a oportunidade do público interagir diretamente com os professores-cirurgiões por meio de perguntas sobre a técnica e o equipamento utilizado. “Essa transmissão trouxe o centro cirúrgico para o anfiteatro. É como se os participantes estivessem in loco no hospital”, destacou Antonio.
Realizados no Santa Rosa, os procedimentos contaram com a participação do coordenador do Centro de Litotripsia Extracorpórea do AME-SBO/Unicamp, o urologista do Hospital Israelita Albert Einstein (setor de Litotripsia Extracorpórea) Renato Nardi, bem como da equipe da instituição. “Os brasileiros são excelentes cirurgiões, mas não basta ter uma boa mão: é preciso entender as ferramentas que serão utilizadas para operar”, reforçou Renato.
O membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e membro da American Urological Association (AUA), o médico urologista do Hospital Santa Rosa, Carlos Bouret, esclareceu que a ureterorrenoscopia é “indicada principalmente para pacientes que têm cálculos calicinais ou cálices complexos com indicação para cirurgia a laser”.
STONE DAY – Promovido pelo Stone Institute e chancelado pela Endourological Society, com realização do Hospital Santa Rosa e apoio da Quality Medical, o evento englobou conteúdo teórico, instruções, treinamento prático em simuladores e discussões de casos, além da realização de duas cirurgias com a utilização do aparelho LithoVue. O Stone Institute é um centro de pesquisas e treinamento da Endourological Society, sediada em Nova York (EUA).
Assessoria de Imprensa Hospital Santa Rosa – ZF Press