Nordeste volta a ser alvo de ataques por escolhas eleitorais

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) dispararam mensagens preconceituosas e críticas ao povo nordestino por conta do apoio que o eleitorado dos estados da região deu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno das eleições presidenciais. Os ataques geraram reações de lideranças políticas, religiosas e também de artistas que criticaram o que foi definido como ‘preconceito’ e ‘xenofobia’
Em mensagens trocadas em grupos e redes sociais de apoiadores do presidente que chamam os eleitores nordestinos de "imbecis" e "jumentos". Lula venceu o primeiro turno com cerca de 48% dos votos contra 43,52% de Bolsonaro. O petista foi o preferido dos eleitores do Nordeste, enquanto Bolsonaro venceu principalmente nos estados do sul e centro oeste
As mensagens ofensivas aos eleitores do Nordeste começaram a circular nos grupos bolsonaristas por volta das 19h20. Até então, a maior parte dos votos dos estados do Nordeste ainda não havia sido computada e Bolsonaro liderava os resultados de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A partir de então, a consolidação dos votos em todo país, incluindo os votos do Nordeste, fez com que o cenário se invertesse e Lula passasse a liderar o primeiro turno.
A professora de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Viviane Gonçalves, diz que as ofensas a nordestinos durante as eleições também foram comuns em 2014. Segundo ela, esses ataques reforçam o preconceito contra o povo da região sob a ideia de que os habitantes desses estados são "pessoas subalternizadas".
"A gente viu esse tipo de ataque acontecer em 2014, também, quando os votos do Nordeste começaram a ser computados no segundo turno e deram a vitória pra Dilma Rousseff. Tem o sentimento de uma certa hierarquia regional. O nordeste é, na maioria das vezes, considerado como a região de pessoas subalternizadas", afirmou.
Nos últimos anos, a Justiça vem condenando por racismo pessoas que proferem ofensas a nordestinos.
Em maio deste ano, por exemplo, a Justiça do Distrito Federal manteve uma condenação contra um homem que se referiu ao povo nordestino como "escória do país" e "tudo de ruim".
GIL DO VIGOR
Ontem Gil do Vigor, de 31 anos, repudiou os discursos xenofóbicos direcionados para a população nordestina após o resultado das eleições presidenciais no primeiro turno. O artista, que ganhou fama nacional após participar do BBB Brasil, lamentou a situação e pediu respeito aos nordestinos e à democracia.
"Em termos de política, nós precisamos colocar a cabeça no lugar, se conscientizar, respeitar o outro… Isso é democracia. Posso ter o meu pensamento e eu quero ser respeitado por ele, então preciso também respeitar o outro", começou o economista.
Em seguida, o estudante de pHd de Economia da Universidade da Califórnia, em Davis, nos Estados Unidos, destacou que é necessário "respeito". "Uma coisa que não se pode tolerar é a xenofobia (…) Estou vendo uma galera sendo xenofóbica com o pessoal do Nordeste, o meu Nordeste, e que defendo sim. O nosso Nordeste precisa de respeito", disse.
Gil do Vigor, natural da região de Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, ressaltou que conhece diversos nordestinos inteligentes, como é o seu caso, altamente capacitados para dialogar e discutir inúmeros assuntos. "O nordestino é capaz, é potente e tem conhecimento, sim", afirmou.
Da Redação (com agências de notícias)