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A exemplo do Pará, parlamentares estudam divisão do Mato Grosso

A quase um mês de os paraenses decidirem em plebiscito se aprovam ou não a divisão do atual estado em três unidades da federação, a população do Mato Grosso pode passar pela mesma vereda. No próximo dia 3 de dezembro, parlamentares estaduais e federais planejam uma audiência pública na cidade de Porto Alegre do Norte (MT), a 1.160 quilômetros a noroeste da capital, para discutir uma possível divisão do estado, também em três novos territórios.

Divisão do Mato Grosso em três territórios será discutido em audiência pública em dezembro
De acordo com o deputado federal Nilson Leitão (PSDB-MT), a região do Araguaia seria a mais favorecida caso o estado homônimo viesse a ser separado. Segundo ele, a região conhecida como “braço dos esquecidos” só é levada em conta em períodos eleitorais. O parlamentar ressalta também que o estado só parece ser importante ao Brasil quando se trata de sua produção de grãos, principalmente da soja, porém, o investimento em políticas sociais não acompanhou a aplicação de recursos públicos como na produção agrícola.

– Eu realmente não sou a favor de dividir estados, dividir famílias, mas infelizmente o Mato Grosso só aparece nos jornais como enriquecimento do Brasil se o assunto é soja- , lamenta o parlamentar. E completa: “O Mato Grosso já está dividido pela caneta dos governos”.

No entanto, há um outro setor que defende discussões dirigidas para novos e mais empenhados investimentos do Executivo e não para a divisão do estado. Para José Riva (PSD-MT), presidente da Assembleia Legislativa matogrossense, o debate poderia reivindicar mais investimentos para todas as regiões, pois, para ele, não é só a região do Araguaia que carece de investimento público.

Riva entende que os valores estimados para a criação de um novo estado – cerca de R$1 bilhão, em seus cálculos – são altos demais para que a medida ganhe apoio do governo federal. “É preciso aplicar valores e não dividi-los”, considera. Leitão reconhece que apenas com o “apadrinhamento” do governo federal poderia resultar em chances reais de divisão.

Já o presidente da Assembleia Legislativa fala em oportunismo político daqueles que defendem a divisão, tanto por acreditar que nem a própria população tem levantado a possibilidade. “Acredito também que com esse plebiscito para opinar sobre a divisão do Pará foi claramente motivo de influência nas discussões aqui no Mato Grosso.”

O plebiscito no Pará levará os eleitores às urnas para opinar sobre a divisão do estado em três, com criação de outros dois territórios, de Carajás e de Tapajós. Os paraenses irão às urnas em 11 de dezembro deste ano, porém o resultado será apenas consultivo já que cabe à Câmara dos Deputados e ao Senado confirmarem ou não a decisão das urbas. É primeira vez no Brasil em que a criação de um estado é decidida em plebiscito.

Fonte:Correio do Brasil

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