onscientização é o que motiva doação de órgãos

A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso vem trabalhando e implementando suas ações para a conscientização familiar na doação de órgãos. Em decorrência desse trabalho, na Central Estadual de Transplantes, da Secretaria de Estado de Saúde, os serviços de transplantes de córnea, de enxerto ósseo e de rins vêm apresentando aumentos graduais.
Segundo a coordenadora de Transplantes, Fátima Melo, no ano de 2007 a Central recebeu 54 notificações de morte encefálica, resultando em 08 doações, e 88 notificações de morte por coração parado, que propiciaram 85 doações. Em 2008 foram notificadas 59 mortes encefálicas, que resultaram em 09 doações, e 125 mortes por coração parado, que originaram 124 doações. Já nesses primeiros meses de 2009 tivemos 11 notificações por morte encefálica, com 02 doações, e 24 notificações por coração parado, resultando em 21 doações.
A comprovação de que doar órgãos é um ato que, além de salvar vidas, traz satisfação para quem faz a doação pode ser visto no caso dos familiares da médica Helena Nassai, que faleceu no final do mês passado, em Natal, no Rio Grande do Norte. A família doou as córneas da médica para transplantes.
Helena Nassai foi casada com o médico Nilton Nassai e viveu por 40 anos em Cuiabá, Mato Grosso. Nilton Nassai disse que sua esposa sempre pensou em doar de si mesma como médica e como cidadã. “Sempre conversamos sobre ajudar outros e a doação era um tema constante de nossas conversas. Tanto que nossas duas filhas, que estudam medicina, também são doadoras. Saber que pelo menos uma parte dela está fazendo com que outros sejam beneficiados e tenham melhor qualidade de vida traz um sentimento de satisfação”, afiançou o médico.
O serviço da Registro Brasileiro de Doadores de Medula Óssea (Redome) já possui em seus registros 5.000 possíveis doadores cadastrados sendo que sete deles são compatíveis e fazem parte da rede nacional e internacional de doadores.
A Central de Transplantes trabalha, também, na capacitação de Comissões Internas Hospitalares de Doação de Órgãos, Tecidos e Transplantes (CIHDOTTs) nos hospitais Santa Rosa, Amecor, Jardim Cuiabá e São Matheus neste início de ano. “E, a partir da segunda quinzena de Março, começaremos a realizar busca ativa, in loco, nas unidades hospitalares para capacitação de profissionais na abordagem a famílias de pessoas que foram a óbito nessas unidades, visando o consentimento para a doação”, avisou Fátima Melo
PARA SER UM DOADOR – Para ser um doador de órgãos não é necessário deixar qualquer autorização escrita, em qualquer documento. Basta apenas comunicar à família o desejo de doação. A doação só acontecerá após a autorização familiar.
Existem dois tipos de doadores: o doador vivo e o doador falecido. No caso do doador vivo se trata de qualquer pessoa que concorde em doar um dos rins, partes do fígado, da medula óssea ou do pulmão. A Lei faculta que parentes até o quarto grau e cônjuges sejam doadores desse tipo. No caso de não-parentes isso só é possível com autorização judicial.
Já o doador falecido se trata de pacientes em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) com morte encefálica, geralmente vítimas de traumatismo craniano ou derrame cerebral (AVC). Com a autorização da família a retirada de órgãos é realizada em um centro cirúrgico, como em qualquer outra cirurgia, e a retirada dos órgãos não deforma o corpo do doador, que poderá ser velado normalmente pelos familiares e amigos.
O diagnóstico da morte encefálica é regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina. Dois médicos de diferentes áreas examinam o paciente para poderem atestar a morte encefálica, sempre com a comprovação de um exame complementar. Não há qualquer dúvida quanto ao diagnóstico.
Um único doador com morte encefálica pode salvar a vida de inúmeras pessoas. Podem ser usados o coração, o pulmão, o fígado, o pâncreas, o intestino, o rim, as córneas, veias, ossos e tendões de um doador desse tipo. Os órgãos doados vão para pacientes que necessitam de um transplante e estão aguardando em Lista Única definida pela Central de Transplantes da Secretaria de Saúde de cada Estado, que é controlada pelo Sistema Nacional de Transplantes.
Assessoria SES MT