Senador Gilberto Goellner cobra medidas para solucionar a crise na pecuária brasileira

Em discurso no Plenário da Casa nesta segunda-feira (16), o senador Gilberto Goellner (DEM/MT) destacou os impactos da crise financeira internacional sobre a indústria frigorífica brasileira e os problemas enfrentados pela pecuária de corte.
Uma das grandes preocupações do senador não apenas em relação ao Frigorífico Independência – o qual, dias atrás, suspendeu, por tempo indeterminado, o abate de bovinos em todas as suas instalações no País -, mas a repercussão dessa paralisação na economia do agronegócio brasileiro e o seu impacto negativo no emprego e na renda do País.
A empresa, que tem fábricas em sete estados brasileiros e uma no Paraguai, tem capacidade para abater 11,8 mil bovinos por dia e de processar a sua carne, e é um dos cinco maiores exportadores de carne bovina do Brasil.
O senador informou que, apenas em Mato Grosso, foram fechadas cinco unidades da empresa e que essa medida, além do desemprego que provocará, deverá repercutir negativamente nas exportações do Estado.
“Mato Grosso é o segundo maior exportador de carne bovina no Brasil, participando com 13,4% nas receitas de exportação. Em 2008, o Estado obteve US$ 700 milhões com receitas de exportações”, ressaltou Goellner.
Na avaliação do senador, deve-se saber se o episódio ocorrido com o Frigorífico Independência é um caso isolado ou se há risco sistêmico na indústria frigorífica nacional.
Diante disso, a pedido do senador Gilberto, a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado Federal (CRA) vai realizar, nesta terça-feira (17), Audiência Pública para discutir os impactos da crise financeira na indústria frigorífica nacional e suas repercussões na pecuária bovina de corte.
O senador destacou ainda que o principal objetivo da Audiência Pública é verificar se a indústria frigorífica brasileira está preparada para enfrentar a crise financeira internacional que motivou uma redução de 26% nas exportações no mês de janeiro de 2009 se comparado com janeiro de 2008.
“É importante frisar que a crise no Brasil é bem diferente da crise nos Estados Unidos. Lá, a crise afetou diretamente os bancos norte-americanos, o sistema financeiro. Aqui, a crise atingiu, principalmente, o setor produtivo. Por isso, o aumento dos custos de produção, a queda de preços dos produtos agropecuários são as questões que devem nortear os nossos debates, para que possamos encontrar soluções para a nossa crise”, avaliou o senador Gilberto.