Busca de rentabilidade deve atrair trabalhador para o FI-FGTS

A maior familiaridade com aplicações financeiras e a baixa rentabilidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) levarão os trabalhadores a destinar novamente parte de seus recursos a uma nova modalidade de investimento. Segundo especialistas, a possibilidade de destinar até 30% do saldo para um fundo de infraestrutura, aprovada pelo Conselho Curador do FGTS, terá demanda garantida.
Demanda esperada para novo fundo do FGTS é de até R$ 30 bilhões
Em meados de dezembro, o conselho anunciou a possibilidade de aportes no FI-FGTS, administrado pela Caixa Econômica Federal. O limite de investimento é de R$ 2 bilhões, com possibilidade de ampliação para R$ 5 bilhões. A operação ainda depende de aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A expectativa do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, é de que isso ocorra entre março e abril.
Retorno e popularidade
“Além de o retorno do FGTS ser muito baixo, o sucesso das aplicações em ações da Petrobras e da Vale autorizadas anteriormente chamou a atenção dos investidores”, diz Marcelo Faria Figueiredo, superintendente de alocação de recursos do Banco Fator. “É uma questão de custo de oportunidade, ou seja, de quanto o trabalhador deixa de ganhar com seus recursos mal aplicados. O pior investimento hoje é o FGTS”, complementa Mauro Calil, professor e educador financeiro do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil & Calil.
Nos últimos 14 meses, o FI-FGTS teve rentabilidade de 11,7%, bem acima do ganho proporcionado pelo FGTS, de apenas a Taxa Referencial (TR) mais 3% ao ano.
Figueiredo, do Fator, também acredita que o assunto infraestrutura está em pauta atualmente no Brasil, tendo em vista o próprio crescimento sustentado do País e a previsão de obras necessárias para a Copa do Mundo de Futebol (2014) e Olimpíadas (2016).
Além do retorno, outro fator que gera demanda é a maior familiaridade do investidor com aplicações diferentes, conta Reginaldo Alexandre, presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais em São Paulo (Apimec-SP).
Alexandre lembra que a participação das pessoas físicas no mercado de ações saltou de 10% do volume total da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) em 2001 para cerca de 30% atualmente. “O investidor menor está mais confortável com aplicações diferenciadas. Além disso, a taxa de juros está baixa, o que leva a uma procura por aplicações mais rentáveis.”
A oportunidade, na visão de Marcelo Mizrahi, executivo da Itaú Unibanco Asset Management, não será boa apenas para o investidor. “Esses recursos geram capacidade para as empresas envolvidas.” A demanda, portanto, será de mão dupla: a modalidade faz com que mais companhias de infraestrutura busquem o mercado de capitais para se financiar.
Riscos
Para os analistas, um dos riscos é a própria ausência de garantia de rentabilidade, por se tratar de um investimento de renda variável. O trabalhador corre o risco de perder todo o recurso aplicado.
Outro contraponto, segundo Alexandre, da Apimec-SP, é a ausência de uma marca forte, que chame as atenções mais facilmente, como o que ocorreu com as gigantes Petrobras e Vale. “É importante que a propaganda deixe claro ao investidor o que há dentro do fundo, para deixá-lo mais confortável”, complementa Figueiredo, da Fator
Fonte:Ultimo Segundo Economia