Lula mantém liderança com 45%; Bolsonaro é o mais rejeitado

A mais nova pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha mostra que o uso político das comemorações do Dia da Independência pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) não alterou as intenções de voto na corrida presidencial. O levantamento foi realizado na quinta e sexta-feira (08 e 09) e ouviu presencialmente 2.676 pessoas em 191 cidades. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua sendo preferido, com 45% das intenções de voto. Bolsonaro segue em segundo, agora com 34%.
A pesquisa mostra que o candidato à reeleição oscilou positivamente dois pontos em relação ao último levantamento. Mas a variação ocorre dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Na pesquisa anterior, realizada na semana passada, Lula tinha os mesmos 45% e Bolsonaro, 32% De lá para cá, seguiram nas mesmas posições também Ciro Gomes (PDT), que oscilou negativamente de 9% para 7%, e Simone Tebet (MDB), que empacou nos 5%. Assim, ambos agora estão empatados tecnicamente.
Um possível apoio a mais a Bolsonaro pode ter vindo de eleitores do pedetista, dado que os brancos e nulos ficaram em 4% e os indecisos oscilaram para 3%.
Conforme a pesquisa, em um eventual segundo turno Lula venceria Bolsonaro por 53% a 39%. Outro dado relevante é que 77% dos eleitores entrevistados disseram já ter decidido o voto.
VOTOS VÁLIDOS
Levando em conta apenas os votos válidos, excluindo nulos e brancos conforme o cálculo feito pela Justiça Eleitoral, Lula manteve os 48% de votos válidos. Se alguém tiver 50% mais um, está eleito em primeiro turno. Com a margem de erro, o petista ainda pode estar próximo da metade necessária, mas a tendência é de queda: em maio, tinha 54%. Bolsonaro oscilou de 34% para 36% da semana passada para cá.
Lula abre uma boa frente entre os eleitores que ganham até 2 salários mínimos e representam 50% da amostra deste levantamento. Neste segmento Bolsonaro ficou estável, com 26%, enquanto Lula tem 54%. O petista também lidera entre os brasileiros que recebem o Auxílio de R$ 600, cerca de 20 milhões de famílias (56%, ante 28% do presidente).
O presidente havia subido entre aqueles que ganham de 2 a 5 mínimos, e somam 36% da amostra. Só que o efeito só durou até a pesquisa passada, quando a sua vantagem sobre Lula caiu de 13 para 3 pontos. Agora, ficou estável em um empate técnico: 41% para Bolsonaro, 37% para o antecessor.
REJEIÇÃO
O índice de rejeição dos candidatos a presidente seguiu estável na mais recente pesquisa do Datafolha, com 51% dos eleitores afirmando que não votam de forma alguma no presidente Jair Bolsonaro (PL).
O líder na corrida eleitoral, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcou 39% de rejeição. Empatados na terceira colocação da disputa, Ciro Gomes (PDT) tem 24%, e Simone Tebet (MDB), 14%.
A estabilidade acaba sendo bom negócio para ambos os líderes da pesquisa, embora obviamente cobre um preço maior do presidente e seja um dos grandes impeditivos de sua postulação.
No caso de Bolsonaro, assim como houve apenas uma oscilação positiva de sua intenção de voto após os atos comandados por ele no 7 de Setembro, na quarta, nem tampouco piorou sua imagem junto ao eleitorado —ele maneirou o discurso golpista, deixando no ar críticas ao Judiciário para os apoiadores vocalizarem, mas fez vulgaridades machistas e ataques a adversários e às pesquisas do Datafolha.
Entre as mulheres, 52% da amostra, Bolsonaro segue sendo mais rejeitado (55%) do que na população em geral. Lula oscila para baixo, reduzindo seu índice para 36%.
Já para o petista, a manutenção do nível de rejeição, que vinha subindo com sua maior exposição na campanha aos ataques de Bolsonaro e outros, poderá indicar se persistir um estancamento do processo.
Para Bolsonaro, a estagnação também indica uma falta de efeito do Auxílio Brasil, programa de transferência de renda que substituiu o Bolsa Família.
Já Lula mantém o patamar de rejeição que tinha, a esta altura da campanha, em 1994: 38% então. Quando venceu em 2002, tinha 30% e na reeleição de 2006, 26%. Ele e Bolsonaro são também os mais conhecidos candidatos, respectivamente com com 98% e 97%.
A pesquisa do Datafolha foi encomendada pelo jornal Folha de São Paulo e pela TV Globo, com registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07422/2022.
Da Redação (com informações da FSP)