AGROPECUÁRIA

Frigoríficos defendem aplicação do MT Legal em reunião com Greenpeace

Numa decisão bilateral os maiores frigoríficos do país se uniram à Ong Greenpeace pelo combate ao desmatamento na cadeia produtiva da carne. O governador do Estado, Blairo Maggi também participou da reunião na manhã desta segunda-feira (05.10), no auditório da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, com representantes dos grupos Marfrig, Bertin, JBS-Friboi e Minerva além da Organização Não Governamental (ONG), organizadora do evento. Cabe ao Estado oferecer ferramentas para o cadastramento de terras aplicando o programa MT Legal.
Em discurso defensivo aos pecuaristas, Blairo Maggi anunciou que a meta de Mato Grosso é ter 100% das propriedades rurais cadastradas para fins de licenciamento ambiental no prazo de um ano.
Para isso, o governo vai disponibilizar as ferramentas do programa MT Legal para desburocratizar e estimular o processo de cadastro e licenciamento ambiental, além de disponibilizar imagens de satélite em alta resolução para o monitoramento, permitindo, assim, a implementação de um sistema eficiente de rastreabilidade da pecuária no Estado.
Os frigoríficos adotarão um programa de seis itens que incluem prazos para cadastro das fazendas fornecedoras diretas e indiretas e o monitoramento rigoroso do desmatamento ao longo da cadeia produtiva. Eles não trabalharão mais com fornecedores envolvidos em novos desmatamentos no bioma Amazônia. A meta é trabalhar com uma “pecuária legal”, como disse o governador de Mato Grosso.
“Este ano investimos em fiscalização, serviços modernos de monitoramento e fotografia das plantas no Estado. Porém, sozinho o Estado não vai conseguir fazer aquilo que a sociedade espera. O que queremos é daqui a dois ou três anos fazer um novo evento para analisarmos aquilo que conseguimos cumprir. Queremos enfrentar os maiores debates do mundo com essa afirmativa ‘a pecuária do Brasil é uma pecuária legal’”, declarou Maggi.
O objetivo é que os frigoríficos se comprometam em não comprar gado de propriedades rurais que tenham desmatamento ilegal, trabalho escravo e violência, além de animais que tenham sido criados em terras indígenas. No entanto, vale ressaltar que nenhum produtor de carne de Mato Grosso deixará de comercializar, uma vez que aderindo ao pograma MT Legal, os produtores podem garantir o cadastramento de suas propriedades.
Maggi aproveitou a participação no evento para contextualizar o desmatamento na região amazônica. “A população do Sul do país há anos foi para a Amazônia chamada pelo Governo Federal para ocupar as terras. Foi uma vontade da sociedade baseada no que o Governo queria. De lá pra cá muita coisa mudou. Eu também mudei bastante, a mudança é um processo evolutivo e natural. Os frigoríficos, por exemplo, estão aqui porque também mudaram, estão de ‘cara limpa’ prontos para um desafio, pois, a sociedade exige que tenhamos essa postura”.
NOVO MODELO PRODUTIVO
O governador também falou do modelo de preservação ambiental que está em andamento na região Noroeste de Mato Grosso, a fim de manter a floresta em pé com alternativas de sustentabilidade para os produtores da região. “Mato Grosso já tem propostas de uma alternativa e estamos trabalhando com as ONG’s numa outra área, onde queremos que serviços ambientais prestados por aqueles que vivem nas florestas sejam recompensados. Nós desejamos e precisamos incluir na pauta que o REDD seja um mecanismo eficaz para a redução dos efeitos do aquecimento global reconhecido por todo o mundo. Precisamos sustentar a tese e a prática de que ’se você não desmatar iremos recompensá-lo pelo serviço que você está prestando ao mundo’, lembrou Maggi.
As proposituras iniciais do REDD/MT Noroeste, como vem sendo chamado, serão apresentadas em dezembro na reunião da Conferência da Organização das Nações Unidas sobre o Clima (COP 15), em Copenhague, capital da Dinamarca, no mês de dezembro.
Mato Grosso tem um rebanho de 26 milhões de cabeças e a expectativa é que esse número suba para 30 milhões em 2010. “Precisamos ampliar nossa produtividade na pecuária sem aumento da área. Nós temos aqui no Brasil um boi por hectare, enquanto na Europa são cinco bois por hectare”, citou Blairo Maggi.
O diretor da campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário, disse que “a adoção de medidas conjuntas demonstra a seriedade dos compromissos assumidos pelos grandes frigoríficos e ajuda a evitar a duplicação de esforços, agilizando a implementação de critérios que levem ao fim do desmatamento na produção pecuária brasileira”.
Ele destacou ainda que “o governador Blairo Maggi está um passo à frente dos outros governadores ao assumir este compromisso. Certamente outros governadores devem aderir a esse acordo em breve”, complementou Adário.
Acompanharam o governador os secretários de Meio Ambiente, Luis Henrique Daldegan, de Indústria e Comércio, Pedro Nadaf , extraordinário de Projetos Estratégicos, José Aparecido dos Santos, e o chefe da Casa Militar, coronel Alexander Maia.
SECOM

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