Rondonópolis é pioneiro em Mato Grosso no enfrentamento da microcefalia e atendimento às gestantes

A secretária Municipal de Saúde, Marildes Ferreira, anunciou nesta segunda-feira (25), durante entrevista coletiva, no Auditório da Secretaria Municipal de Saúde, que o número de casos de microcefalia, depois de reavaliados pela equipe médica, caiu para 58. Também foi apresentado o fluxo de atendimento nos dois ambulatórios de referência municipal, um para gestantes expostas ao vetor Aedes aegypti, e outro para avaliação dos recém-nascidos com microcefalia. As ações tornam Rondonópolis pioneiro em Mato Grosso no enfrentamento da microcefalia e tratamento às gestantes.

Para Marildes, o importante é que o município está trabalhando com planejamento, sem especular sobre casos de microcefalia, dengue, zika vírus e chikungunya. “Não trabalhamos com o que não podemos provar. Rondonópolis está tratando de forma séria as gestantes e os recém-nascidos, e não possui uma epidemia de dengue ou zika como demonstram os níveis de infestação pelo Aedes aegypti”, explicou a secretária.

Conforme dados da Vigilância Epidemiológica, Rondonópolis tem do início de janeiro deste ano até hoje, três casos confirmados de dengue, com 31 notificações, índice menor que o ano passado, quando as notificações neste mesmo período já ultrapassavam 100. Quanto ao zika vírus ainda não há nenhum caso notificado e nenhum confirmado.

Ainda de acordo com os dados apresentados, de oito amostras colhidas em recém-nascidos com suspeita de microcefalia, cinco deram negativa para o zika vírus, assim como para a dengue ou chikungunya. O resultado foi enviado pelo laboratório de referência nacional Adolfo Lutz. Estes recém-nascidos serão reavaliados para a ocorrência de outras doenças que também causam microcefalia.

Os casos suspeitos de microcefalia identificados na cidade estão espalhados em vários bairros, com concentração maior no Parque Universitário – três – Vila Olinda – dois – e Pedra 90 – dois. Porém, em 2015, estes bairros não foram os que apresentaram o maior Índice de Infestação Predial pelo Aedes aegypti. A maior infestação ocorreu no Sagrada Família que apresentou apenas um caso.

A médica ginecologista e obstetra, Larissa Fonseca, responsável pelo ambulatório para gestantes, destacou que o trabalho que vem sendo desenvolvido envolve toda uma programação de acompanhamento às gestantes, com ultrassom frequente e suporte psicológico. Ela lembrou que não são todas as mães que são expostas ao zika vírus em que os bebês irão nascer com microcefalia, por isso, é importante preparar a gestante.

Já, a médica infecto-pediatra, Vanessa Siano, responsável por atender os recém-nascidos com suspeita de microcefalia, ressaltou que o tamanho reduzido da cabeça do bebê nem sempre vai indicar que ele desenvolverá a doença causada pela microcefalia ou que esta estaria ligada ao zika vírus. “Muitos destes recém-nascidos podem ter um desenvolvimento normal”.

Além disso, Vanessa Siano afirmou que Rondonópolis é o primeiro em Mato Grosso a organizar toda uma estrutura para não deixar os recém-nascidos e as gestantes desamparadas. “Estamos sendo pioneiros e isso é muito importante”, concluiu a médica.

Marildes Ferreira lembrou que não é porque Rondonópolis não vive uma epidemia do mosquito Aedes aegypti que as ações da Saúde no combate ao mosquito serão menos eficientes. “Continuaremos com os mutirões nos bairros com infestações mais altas, ou seja, maior que 1,76%, e com o trabalho de visita às casas. Mas pedimos a colaboração de todos, porque não se combate o mosquito sozinhos, esse é um papel de toda a sociedade”, disse a secretária.

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