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Entidades auxiliam produtores a reconstituir floresta

Uma pesquisa pioneira em reflorestamento de mata ciliar e APPs vem sendo desenvolvida no Estado em parceria com Organizações Não-Governamentais e produtores rurais. A pesquisa, que tem o foco na recuperação de áreas degradadas, vem sendo testada desde 2004 na Fazenda Tanguro, localizada no município de Canarana (823 km ao leste da capital Cuiabá).
Os estudos estão acontecendo numa área de 31 hectares da fazenda, onde antes era mata ciliar. Segundo a bióloga e técnica responsável pela pesquisa, Artemízia Moita, o grupo comprou a fazenda sabendo dos problemas ambientais que havia e buscou parcerias com a ONG Aliança da Terra para auxiliar na recuperação desta área.
Mediante esta parceria, pesquisas são desenvolvidas para que a recuperação dessas áreas possa ser viável ao produtor, no que refere a tempo, custo e instrumentos de trabalho que há na fazenda. Nesta área de 31 hectares foram plantadas mais de mil mudas de árvores das mais variadas espécies nativas. As mudas foram produzidas no próprio viveiro da fazenda.
Durante a pesquisa, a bióloga encontrou algumas ameaças ambientais como as formigas e também o capim que é um forte predador, pois ele cresce em volta da muda sufocando-a até a morte. Com isso, os técnicos tiveram que buscar alternativas para combater o crescimento do capim. A alternativa encontrada foi a aplicação do glifosato (defensivo agrícola) ao redor da muda.
“Nós fizemos a experiência carpindo ao redor da muda, mas não deu certo, pois ele brotou novamente. Já o experimento com glifosato atingiu 50% de eficácia e até o momento esta alternativa é a melhor”, explicou Artemízia Moita. Ela disse que em oito anos será possível ver a mata consolidada.
De acordo com o produtor rural e presidente-fundador da ONG AT, John Carter, o trabalho que vem sendo desenvolvido junto com os produtores é uma alternativa para auxiliar o setor na recuperação do passivo ambiental. “Infelizmente não vemos interesse dos governos federal, estadual e municipal, em criar uma política que venha resolver de uma vez os problemas ambientais”, enfatizou lembrando que por enquanto a melhor alternativa é buscar parcerias com bancos internacionais que querem investir em crédito carbono.
Esta pesquisa pioneira foi apresentada durante o I Simpósio Alianças Socioambientais, que aconteceu no município de Água Boa e reuniu produtores rurais da região, acadêmicos e pesquisadores.
Durante o encontro, palestras e debates fomentaram ampla discussão sobre as incongruências das leis ambientais sobre a preservação do meio ambiente. Na visão do produtor rural John Landers, ‘pai’ do Plantio Direto, a sociedade tem que entender que ela é a parte fundamental para todo o processo de conservação do meio ambiente.
“A sociedade tem que conhecer como funciona o processo de produção dos alimentos que ela come e compra no supermercado. Ela tem que saber quem está por trás do leite que consome, do bife que come, do arroz que vai para a mesa todos os dias”, enfatizou Landers destacando que o produtor tem que ter incentivos e recursos para recuperar o seu passivo ambiental.
Segundo o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Rui Prado, as discussões promovidas no cenário do meio ambiente foram de grande valia.
“Para que haja a preservação do meio ambiente é necessário incentivo financeiro e principalmente a conscientização da sociedade sobre a importância do seu papel no processo produtivo do País. A iniciativa que foi apresentada durante o I Simpósio de Alianças Socioambientais, em Água Boa, mostra que a recuperação das áreas degradadas é possível e que a união dos esforços é fundamental para uma produção sustentável”, frisou.
Assessoria Famato

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