ECONOMIA

Cooperativas de crédito, direcionadas ao crescimento

No mercado financeiro são oferecidos, a cada dia, inúmeras vantagens para atrair seus clientes. Ora destacam investimentos sem riscos, maior segurança, maior rentabilidade, maior liquidez, juros mais baixos, carteira de cobrança mais ágil etc… Neste contexto, os bancos buscam sempre formas mais eficientes de rentabilizar seus ativos visando, cada vez mais, uma gama de clientes para atingir sempre vultosos lucros. Então, pergunto, que tal ser dono de um negócio neste segmento? Nem todos compreendem que em uma cooperativa de crédito os associados têm muito mais vantagens que no sistema bancário tradicional, a começar pela participação de todas as tomadas de decisões, com direitos a voz e voto.
Quando efetivamente houver massificação de informações a respeito das vantagens da cooperativa de crédito, certamente o segmento que já apresenta números interessantes, terá uma expansão vertiginosa. Não tenho ainda os números do ano passado, mas em 2008 – conforme dados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) – o ano fechou com o número de 1.457 cooperativas de crédito.Elas geraram 38.796 empregos diretos e tinham uma carteira de 3,2 milhões de associados.
No ano 2000, quando a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso iniciou os contatos para a formação da cooperativa, que hoje tem o nome de Sicredi Empreendedor, os números do segmento já eram atrativos. Na Europa as cooperativas de crédito representavam 46% das instituições, responsáveis por 15% das operações de intermediação financeira, segundo a Agência de Estatística da União Européia (Eurostat). Na Holanda, o Rabobank Group, formado por 397 cooperativas de crédito, administra ativos totais de 360 bilhões de euros. Para se ter ideia do que isso representa, o valor era equivalente equivalente à soma de todo o sistema financeiro brasileiro.
Em nível de Brasil, para se ter uma idéia, no período 1994 a 2002, foi registrado um crescimento no número de cooperativas superior a 50%, destaca-se que passou de 946 para 1.428. Havia na época 1,6 milhão de associados, o que dobrou em oito anos. Geravam emprego, em 2.700 postos de atendimento, para 25 mil pessoas. E o número também relevante, as operações de crédito somaram R$ 4,1 bilhões. Embora os percentuais fossem interessantes, a participação no volume de crédito do país ficava na ordem de 1,64%. Hoje detém aproximadamente 2%.
Em 2009 somente o Sicredi projetou 1,7 milhão de associados, e um incremento de 34% em ativos, o que representa R$ 17 bilhões. Em sua prospecção constou o aumento de 48% de seus depósitos, o que deveria perfazer R$ 9 bilhões, e ainda buscava ampliar em 30% seu patrimônio líquido, representado pelo montante de R$ 2 bilhões. A cooperativa registrou em seu balanço de 2008 mais de 4 mil associados e fechou o ano com quase R$ 20 milhões em depósitos.
O mercado das cooperativas de crédito está direcionado ao crescimento. Recentemente o Sicoob, sistema que também é muito respeitado no Brasil, destacou a evolução dos números, na imprensa de Mato Grosso, baseando-se em dados da OCB, mostrando que as instituições do segmento estão se preparando para expandir 30% nas operações de crédito e 18% na carteira de número de associados.
Mato Grosso, que tem tanto o sistema Sicredi, quanto o Sicoob bastante atuantes, certamente contribuirá com a elevação dos percentuais que marcam a eficiência e a evolução do sistema cooperativo no Brasil, contribuindo inclusive com o desenvolvimento local de forma sustentável, na medida que fortalecem as iniciativas empresariais e das comunidades.
Vou usar uma frase dita, em entrevista, por Hermes Martins, presidente do Sicredi Empreendedores, "Uma janela aberta ao mundo e um olhar pra dentro do negócio geram bons resultados". Sugiro, portanto, que muitas janelas sejam abertas e que grande parte dos brasileiros possam olhar para dentro do mercado cooperativo, como um negócio próspero. O fortalecimento deste sistema ainda é um desafio, como tudo que move o futuro.
Pedro Nadaf
Secretário de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia e presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac-MT
Fonte:ortal ACIR (Gazeta Digital)

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