Po dentro da notícia
Correio Braziliense
Farra sem escalas
A vida é uma festa quando se trata da rotina dos senadores. A liberação do uso do saldo da cota aérea acumulada vai proporcionar uma verdadeira farra aos parlamentares neste ano de eleição. Há uma sobra de quase R$ 2 milhões que não foi usada em 2009 e pode ser despejada agora. Com esse valor, cada um dos 81 senadores poderá comprar 14 viagens ida e volta de Porto Alegre a Macapá, atravessando o país num percurso que dura cerca de 8 horas. Os senadores têm direito a uma verba aérea que corresponde a cinco trechos para ir da capital do estado de origem a Brasília e voltar. Por ano, são 60 bilhetes. Em pleno calor eleitoral, não é nada mau acrescentar quase 25% nesse total. As 14 passagens aéreas foram calculadas levando em conta uma tarifa média de R$ 1.720 para ir e voltar, numa consulta nas duas principais empresas aéreas brasileiras para uma viagem de última hora. No preço mais caro, é possível comprar de cinco a 11 passagens, dependendo da companhia, para ir e voltar nesse mesmo trecho. Para uma viagem comum dos parlamentares entre Brasília e Rio de Janeiro, é possível comprar entre 12 e 24 idas e voltas, na tarifa cheia também de última hora, levando em conta os valores oferecidos pelas empresas. Na média dos preços, são 30 bilhetes a mais por ano para cada um dos 81 senadores para ir e voltar ao Rio partindo de Brasília. O R$ 1,969 milhão entrou no Orçamento como restos a pagar, que são os valores empenhados, ainda no ano passado, para serem pagos em 2010. A informação foi confirmada por fontes da Diretoria-Geral. O Senado divulgou ontem que o valor total gasto pelos senadores com passagem em 2009 foi de R$ 9,4 milhões. No ano anterior, a despesa chegou a R$ 18,2 milhões.
Até Dilma vira moeda de troca
Depois de passar 2009 convivendo com liberação de recursos a conta-gotas, a base aliada do governo espera que, em ano eleitoral, a boa vontade do Executivo aumente em relação ao pagamento das emendas parlamentares. A pressão já começou e tem prazo para chegar ao ápice: o mês de junho. É a data-limite para a contratação de obras públicas com emendas por causa das restrições impostas pela legislação eleitoral. E, para levar dinheiro aos seus estados, os parlamentares vão lançar mão de todo o poder de fogo que tiverem. Falam, inclusive, em condicionar a liberação dos recursos ao apoio à candidata do PT à sucessão presidencial, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Entrevista – Itamar Franco
Um dia depois de condicionar o futuro político à decisão do governador Aécio Neves em relação às eleições deste ano, o ex-presidente Itamar Franco (PPS) afirma, em entrevista ao Estado de Minas/Correio Braziliense, que a posição de Aécio de não aceitar a vaga de vice na chapa encabeçada pelo governador paulista, José Serra, tem de ser respeitada. “Esse assunto cessou. Vou recomendar que o partido não se envolva em pressionar para que ele seja vice”, antecipou, em relação à reunião do PPS prevista para a segunda quinzena do mês. Um dos principais defensores da candidatura de Aécio à Presidência da República, Itamar considera que Minas só tem a lamentar com a decisão do governador de jogar a toalha e condena a postura do PSDB paulista, que pretende protelar a definição do nome que representará o partido até março. Para ele, o preço da demora pode ser a perda de costuras importantes com outros partidos de oposição.
Cantadas ao ego de Aécio
Não adiantou o governador Aécio Neves (PSDB) voltar a afirmar que não pretende ser vice na chapa encabeçada pelo governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Representantes dos três partidos que devem se unir em torno do nome único ao Palácio do Planalto em outubro — tucanos, DEM e PPS(1) — afirmaram ontem que vão continuar tentando convencer Aécio a aceitar o posto. A avaliação é de que uma chapa puro-sangue tende a aumentar as chances de vitória contra a candidata do presidente Lula, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Ao menos publicamente, o governador mineiro afirma ser contrário a uma chapa que restrinja a possibilidade de coligações. Terça-feira, em Belo Horizonte, Aécio voltou a dizer que a retirada de sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto é definitiva e que será agora pré-candidato ao Senado.
Caserna reage no Congresso
O início de crise no governo em função da criação da Comissão Nacional da Verdade vai parar no Congresso. Na primeira semana de fevereiro, a Frente Parlamentar de Defesa Nacional vai convocar, em três audiências seguidas, os ministros da Defesa, Nelson Jobim, da Justiça, Tarso Genro, e Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos. A ideia é que eles expliquem as divergências entre as três pastas, causadas pela intenção de alterar a Lei da Anistia. A comissão abre a possibilidade de que casos de repressão durante a ditadura sejam investigados e seus autores, processados, medida que não agrada aos militares.
O Globo
Crise não impede aumento de horas extras no Senado
A direção do Senado informou ontem que seus gastos com o pagamento de horas extras aumentaram em R$ 3,7 milhões de 2008 para 2009. Embora o número de servidores beneficiados tenha caído em cerca de 35% de um ano para o outro, o valor despendido pela instituição saltou de R$ 83,9 milhões para R$ 87,6 milhões. Isso porque o teto estabelecido para as horas extras pagas a cada servidor sofreu um reajuste de nada menos que 99,42% em outubro de 2008, subindo de R$ 1.324,80 para R$ 2.641,93. Esse reajuste de quase 100% foi uma das últimas bondades concedidas pelo ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia, que foi demitido do cargo em março do ano passado em meio a suspeitas de que ele teria omitido de seu patrimônio uma mansão avaliada em R$ 5 milhões. Como as demais benesses garantidas pelo exdiretor ao longo dos 14 anos que esteve à frente da Diretoria Geral da Casa, o aumento não pôde ser cancelado.
Aliado de Serra no QG de Marina
Ex-secretário de Meio Ambiente do governo José Serra (PSDB-SP), o ex-deputado Eduardo Jorge integrará o núcleo de coordenação da campanha da senadora Marina Silva (PV-AC) à Presidência da República. O nome do ex-deputado, que foi secretário de Meio Ambiente do município de São Paulo, foi indicado pela própria senadora. A cúpula do PV reagiu ontem à especulação de que a candidatura de Marina se tornará uma espécie de linha auxiliar da candidatura de Serra à Presidência — alimentada pela escolha de Eduardo Jorge. Filiado ao PV desde 2003, Eduardo Jorge foi fundador do PT. Deixou o partido depois de um histórico de atritos com a cúpula petista, chegando a ser suspenso da legenda por ter votado a favor da CPMF durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Antes, o ex-deputado já havia assumido a secretaria de Saúde das gestões de Luiza Erundina e Marta Suplicy, em São Paulo. Quando José Serra assumiu a prefeitura, em 2007, Eduardo Jorge foi nomeado secretário de Meio Ambiente, e no ano seguinte foi mantido no cargo pelo prefeito Gilberto Kassab, do DEM. O PV rebate o argumento de que o secretário seja um serrista.
Arruda: 'Sou culpado até da Mega-Sena'
Em documentos entregues ontem ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), o governo do Distrito Federal confirmou um aumento de 110% nos gastos com empresas de informática durante a gestão do governador José Roberto Arruda (ex-DEM). Segundo a Secretaria de Fazenda do DF, os repasses saltaram de R$ 95 milhões em 2007, quando Arruda tomou posse, para R$ 200 milhões no ano passado. Ao comentar as primeiras notícias sobre o mensalão do DEM, o governador atribuiu as denúncias a empresas contrariadas com uma suposta redução de gastos no setor.
Aeronáutica se recusará a mexer em relatório que recomenda caças suecos
O comando da Aeronáutica não aceitará modificar a conclusão do relatório da concorrência do programa FX-2 para excluir a classificação que colocou em primeiro lugar o caça sueco Gripen NG, da Saab. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, prefere a proposta do governo da França e tenta negociar com a FAB um texto que não seja tão taxativo. Apesar de insistir em manter o resultado de sua avaliação técnica, a Aeronáutica está disposta a acatar a opção política do governo, que pode levar à compra do francês Rafale. Mas a FAB não quer transformar seu relatório em peça apenas consultiva. Avalia que a decisão sempre foi do presidente. Os três países concorrentes sabem disso e fizeram seus lobbies.
Jato da Saab não voou e existe só no papel
O vazamento do informe técnico da Comissão Coordenadora do Programa Aeronaves de Combate (Copac) expôs claramente que a preferência pelo avião Gripen NG, da sueca Saab, se deu através de uma comparação míope, segundo fontes do setor. Isso porque o quesito com maior peso nessa escolha — o preço do jato — leva em conta apenas o valor do avião, enquanto os preços do Rafale, da francesa Dassault, e do F/A-18 Super Hornet, da americana Boeing, abrangem tanto a aeronave quanto o armamento. Este é o motivo pelo qual o Gripen NG aparece como sendo equivalente à metade do valor do jato francês (que custaria US$ 70 milhões, enquanto o americano sairia por US$ 55 milhões).
'Não se compara uma Ferrari com um Volvo'
O ministro francês da Defesa, Hervé Morin, minimizou ontem a informação de que a Força Aérea Brasileira (FAB) prefere o caça sueco Gripen NG ao francês Rafale. Segundo Morin, aeronave francesa é uma Ferrari e a sueca, um Volvo.
— Não se pode comparar uma Ferrari com um Volvo — afirmou o ministro à rádio RMC, defendendo o caça francês: — O Rafale é o único avião multimissões do mundo, ou seja, o único que pode cumprir ao mesmo tempo missões de defesa, de ataque e de reconhecimento.
Para Morin, a decisão do presidente Lula incluirá uma série de fatores estratégicos de longo prazo. Ele acrescentou que a França garantiu encomendas de submarinos e helicópteros do Brasil, da ordem de 4,5 bilhões de euros, como parte de um acordo de defesa estratégica.
Sem privacidade, Lula decide viajar para o Guarujá
Presidente ficará no Forte dos Andradas até o fim de semana
GUARUJÁ (SP). O presidente Lula chegou ontem à tarde à base militar do Forte dos Andradas, ao lado da Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde deverá terminar seu período de férias. Procurando um local mais reservado, depois de ser fotografado carregando uma caixa de isopor na cabeça na Praia de Inema, na Bahia, Lula chegou de helicóptero sem ser visto, frustrando curiosos que esperavam no local. Oficialmente, a assessoria da Presidência informa apenas que Lula viajou da Bahia para São Paulo, mas sabe-se que ele está no Forte dos Andradas com dona Marisa Letícia e outros parentes. Como ele está em férias, não deverá receber visitas.
Dnit agora promete mais fiscalização nas BRs
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informou ontem que pretende instalar 2.696 aparelhos de fiscalização eletrônica nas rodovias federais. O pacote, que foi licitado em julho de 2009 mas ainda não saiu do papel, prevê investimentos de R$1,6 bilhão nos próximos cinco anos. A promessa é instalar 1.130 lombadas eletrônicas e 466 pardais para inibir o avanço de sinal em trechos urbanos das rodovias federais. Nas áreas rurais, o Dnit prevê o uso de 1.100 radares fixos para coibir o excesso de velocidade.
Brasil regulariza situação de mais de 41 mil imigrantes clandestinos
Nos últimos seis meses, 41.816 estrangeiros que viviam no Brasil de forma clandestina tiveram a situação regularizada. O número foi divulgado ontem como resultado da anistia concedida pelo Ministério da Justiça. A expectativa é que o número definitivo ultrapasse 43 mil. A maioria é boliviana e mora em São Paulo. Por lei, o estrangeiro pode adquirir visto de permanência no Brasil se for casado com um nativo, tiver tido um filho no país ou se tiver contrato de trabalho que permita a regularização. Mas o governo federal optou por anistiar mesmo quem não cumpre os requisitos. Para o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, a atitude mostra à comunidade internacional que imigração no Brasil é um assunto de direitos humanos, não criminal. Ele espera que isso mude o tratamento dado a brasileiros que moram no exterior de forma ilegal.
O Estado de S. Paulo
Pressão do Planalto faz FAB alterar relatório sobre caças
O relatório técnico que o Comando da Aeronáutica apresentará ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, com a avaliação dos modelos de caças para a renovação da frota da Força Aérea Brasileira (FAB), não vai conter uma "hierarquização" das propostas internacionais. A FAB iria recomendar o Gripen NG, da empresa sueca Saab, mas foi pressionada pelo governo e não entrará no mérito de qual a melhor opção para o projeto FX-2, que prevê a compra de 36 caças. A versão final do relatório já havia sido "reexaminada", para cortar do texto o ranking das propostas, quando o documento foi publicado pelo jornal Folha de S. Paulo. O novo texto deverá ser apresentado a Jobim na próxima semana. O vazamento foi interpretado pelo Palácio do Planalto como uma derradeira tentativa da Aeronáutica de constranger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a optar pelo caça sueco, o mais barato entre os três concorrentes.
Amorim confirma que escolha não será de militares
O chanceler Celso Amorim confirmou ontem que não serão os militares que tomarão a decisão sobre os novos caças da Força Aérea Brasileira (FAB), mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "A decisão será sempre política", afirmou. Mas evitou dar detalhes sobre a posição do governo. Hoje, Amorim estará em um evento em Paris com a presença do presidente francês, Nicolas Sarkozy. Relatório do Comando da Aeronáutica teria indicado a preferência dos militares pelo caça sueco Gripen NG. O Rafale, da francesa Dassault, seria o último entre os avaliados, superado também pelo F-18 da norte-americana Boeing. De acordo com Amorim, a escolha será de Lula, que pretende ignorar relatório do Comando da Aeronáutica. O presidente já manifestou a preferência pelo Rafale e tem repetido que a decisão sobre a compra dos 36 aviões é "política e estratégica" para consolidar a parceria entre Brasil e França.
Senado aumenta gastos com hora extra
A promessa do Senado de reduzir as despesas com horas extras em 2009 foi em vão. Foram gastos R$ 3,7 milhões a mais do que em 2008. O resultado confirma declaração dada pelo primeiro-secretário, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), há cerca de dois meses: a hora extra na Casa "é uma bagunça". "O pessoal passa o dia fora, chega com o cabelo molhado no fim do dia e fica dando volta no Senado até 20h30 para marcar a hora extra", disse o parlamentar, em audiência pública sobre a prometida e atrasada reforma administrativa. Nota oficial da Secretaria de Comunicação Social do Senado na noite de terça-feira informou que, em 2009, foram gastos R$ 87,6 milhões com horas extras. No ano anterior, haviam sido R$ 83,9 milhões. O aumento chama a atenção não só pelo valor, mas pelo fato de que a Casa reduziu de 4.227 para 2.763 o número de servidores autorizados a estender a jornada.
Amorim admite dialogar com Hamas e leva pito de palestino
O chanceler Celso Amorim admitiu que o Brasil estaria disposto a estabelecer um diálogo com o grupo Hamas, alvo de boicote dos países ocidentais, e quer participar do monitoramento de eventual relançamento de um processo de paz no Oriente Médio. Mas recebeu ontem um duro recado do governo da Autoridade Palestina: uma aproximação com o Hamas pode dar a impressão ao grupo considerado como terrorista de estar ganhando legitimidade internacional. "Qualquer aproximação com o Hamas hoje pode ser interpretada pelo Hamas como uma espécie de fraqueza da comunidade internacional e um sinal de reconhecimento do sistema de facto criado em Gaza por meio da força e de um golpe. Por isso, os países devem ter cuidado", alertou o ministro das Relações Exteriores da Autoridade Palestina, Riad Malki, que se reuniu ontem com Amorim.
OAB defende punições para doentes da Justiça
A Ordem dos Advogados do Brasil, em São Paulo, defendeu punição para os envolvidos no escândalo dos "doentes" do Judiciário paulista – metade dos 5.400 servidores afastados por razões médicas não tinha problemas de saúde e estava apta para o trabalho, segundo o Tribunal de Justiça. Para a OAB as folgas em massa potencializaram dificuldades da Justiça. "O impacto não é apenas pontual, de responsabilidade pessoal do agente", avalia o vice-presidente da OAB, Marcos da Costa, há 23 anos na advocacia cível. "O quadro caótico de falta de pessoal poderia ser mitigado se os licenciados irregularmente estivessem na ativa." Costa destacou que muitas varas judiciais foram criadas, mas ainda não instaladas por falta de servidores.
Sem-terra já lançam candidatos a deputado
Dos dez movimentos de luta pela terra que atuam no Estado de São Paulo, dois já decidiram lançar candidatos próprios às eleições de outubro. O grupo liderado por José Rainha Júnior, dissidente do Movimento dos Sem-Terra (MST), anunciou a candidatura de Diolinda Alves de Souza, mulher dele, para a Assembleia Legislativa. Ela tem legenda garantida pelo PC do B. No oeste paulista, Diolinda fará dobradinha com o pré-candidato a deputado federal José Avelino Pereira, o Chinelo, do Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast), com legenda do PSB.
Temer manobra para garantir vice
O PMDB governista traçou seu roteiro para assegurar a vaga de candidato a vice-presidente em uma chapa com a petista Dilma Rousseff (Casa Civil) para disputar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Quer reeleger presidente da legenda, em março, o deputado Michel Temer (SP).
Atualmente, ele está licenciado. Reeleito, Temer teria força política renovada dentro e fora do partido, de modo a tornar a indicação do seu nome para vice praticamente incontestável. "O candidato natural a presidente do PMDB é Michel Temer. Não há ninguém no Senado pleiteando esse posto", afirma o senador Lobão Filho (PMDB-MA). Diferentemente do que ocorreu na eleição da executiva atual, o ambiente agora é de harmonia entre o PMDB da Câmara e o do Senado.
Gabeira recua e complica PSDB
A insistência do PV do Rio de Janeiro em lançar candidato próprio à sucessão do governador do Rio, Sergio Cabral (PMDB), levou o deputado Fernando Gabeira, principal nome da sigla no Estado, a desistir de disputar uma cadeira no Senado. "As decisões de lançar candidato próprio e não fazer coligação no campo estadual limitaram demais minhas chances ao Senado. Eu teria 30 segundo de TV e rádio. Para quem não tem recursos, isso não basta. Muito provavelmente, disputarei uma vaga na Câmara. É a velha questão de querer ser puro-sangue", disse. Até a definição da candidatura de Marina Silva ao Planalto, havia uma forte articulação para que Gabeira encabeçasse uma chapa formada por PSDB e PPS. "Com Marina, ficou bem claro que eu não poderia ter apoio de dois candidatos a presidente. Isso levaria muita ambiguidade ao eleitor." E frisou que a apoiaria, mas "todos em torno" ficaram com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB).
Folha de S. Paulo
Prejuízo com chuva supera R$ 1 bi
As chuvas que atingem o Sul e o Sudeste do país já causaram, além de 138 mortes, um prejuízo material superior a R$ 1 bilhão aos cofres públicos. Com o valor daria para construir e equipar, por exemplo, 20 hospitais de 75 leitos cada um. Só em recuperação de estradas, os gastos devem superar R$ 300 milhões. Em São Paulo, 12% das vias estão com problemas -incluindo a Mogi-Bertioga, liberada na segunda-feira, e a Oswaldo Cruz, reaberta ontem, mas que segue em obras. No Rio Grande do Sul, além da queda de uma ponte em Agudo, 7% das estradas estão bloqueadas ao menos parcialmente. "Estamos em um período caracterizado por excedentes de chuvas desde a primavera, o que deixa o solo mais saturado e vulnerável aos alagamentos mesmo com volumes relativamente pequenos", afirma Ricardo de Camargo, meteorologista e professor da USP.
Rumo a Paris, Amorim diz que escolha de caças é política
O chanceler Celso Amorim, que estava ontem em Genebra e hoje participa de seminário em Paris ao lado do presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que a decisão sobre a compra de 36 caças supersônicos para a Força Aérea Brasileira será política e "não se trata de uma decisão puramente militar". "A decisão final é sempre política, pois é tomada por órgãos políticos", disse Amorim ontem, em resposta a um jornalista francês durante uma entrevista coletiva, depois de se reunir com o chanceler da Autoridade Nacional Palestina, Riad Malki, em Genebra. "Evidentemente será tudo estudado, os relatórios [técnicos] serão levados em conta, mas quem vai decidir é o ministro da Defesa, é o presidente da República", continuou o ministro das Relações Exteriores. "A decisão cabe ao presidente, auxiliado por seu Conselho de Defesa. Não se trata de uma decisão puramente militar", disse.
Serra tenta arrecadar R$ 3,4 bi extras para obras em ano eleitoral
Disposto a ampliar seu cardápio de obras, o governo José Serra tenta arrecadar R$ 3,4 bilhões extras no ano eleitoral de 2010. Desse total, R$ 1,2 bilhão não está registrado no Orçamento e poderá engordar a previsão dos investimentos. A dotação de investimentos é de R$ 21,9 bilhões. Mas, concretizado o esforço de arrecadação, o governo de São Paulo poderá gastar R$ 1,2 bilhão além do originalmente previsto para este ano. Esse valor representa mais de 5% da estimativa de investimento. Atrás de receitas extraordinárias -que não são regulares, só acontecem uma vez-, o governo de São Paulo se dedica a quatro diferentes operações.
Pelo cronograma do governo, duas delas serão concluídas já no primeiro semestre do ano.
Para ajudar vice, Aécio foca obras no interior
Seis dias depois de anunciar a desistência de sua pré-candidatura à Presidência da República e declarar que mergulharia na campanha pela eleição de seu vice em Minas Gerais, o governador Aécio Neves (PSDB) aumentou em 69% a verba disponível para obras de acesso a pequenos municípios no interior. O orçamento aprovado no início de 2009 para a "melhoria da acessibilidade de municípios de pequeno porte" era de R$ 586 milhões. Em 23 de dezembro, no entanto, Aécio assinou três decretos garantindo ao DER (Departamento de Estradas de Rodagem) de Minas um reforço de R$ 403 milhões à verba disponível para a ação. O governo, em nota, afirma que o reforço tem o objetivo de cobrir despesas já contratadas ao longo do ano. Parte da verba, diz, é fruto de "êxito na prorrogação do contrato referente ao serviço de pagamento de pessoal", o que permitiu uma sobra de arrecadação, que pode ser aplicada em investimentos.
Marinha gasta R$ 800 mil para reformar casa na BA onde Lula passou Réveillon
A Marinha informou ontem que gastou R$ 800 mil para reformar a casa de praia onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou o Réveillon deste ano, na Bahia. A casa é parte das instalações da Base Naval de Aratu, área privativa na praia de Inema, a 40 km de Salvador. É a quarta vez consecutiva que Lula passa férias de fim de ano no local. A Marinha não especificou o período em que as obras foram realizadas. Disse, em nota, tratar-se de uma "casa de fazenda, carecendo de obras de estruturas e conforto, visto que suas instalações elétricas, hidráulicas e sanitárias ainda remontam à época de sua construção", o ano de 1936.
Renúncia fiscal em MT supera gasto com saúde, aponta TCE
Relatório técnico do TCE (Tribunal de Contas do Estado) de Mato Grosso aponta que a concessão de incentivos fiscais vem crescendo desde a posse do governador Blairo Maggi (PR), em 2003, e nos últimos anos atingiu mais de R$ 1,08 bilhão -mais do que o previsto nos orçamentos de saúde e segurança e semelhante ao total destinado à educação.
A pedido da Assembleia Legislativa, oito auditores do tribunal analisaram as renúncias fiscais concedidas pelo Estado entre 1998 e 2008 e concluíram que, embora o ritmo de crescimento dos benefícios no atual governo tenha superado a expansão do PIB e da arrecadação tributária, isso não se refletiu na geração de empregos, uma das justificativas oficiais para a ampliação das medidas.
Senado aumenta gastos com horas extras
O Senado aumentou em R$ 3,7 milhões os gastos com o pagamento de horas extras em 2009, mesmo depois do anúncio de medidas para reduzir as despesas da Casa tomadas em meio à crise política que atingiu a instituição no ano passado. Segundo informações divulgadas pela Secretaria de Comunicação do Senado, os gastos com horas extras subiram de R$ 83,9 milhões em 2008 para R$ 87,7 milhões em 2009. Mas diminuiu o número de servidores que fizeram hora extra. Em março de 2009, reportagem da Folha revelou o pagamento de horas extras a 3.883 funcionários do Senado em janeiro, período em que a Casa estava em recesso parlamentar e a maior parte dos senadores viajava -a Casa gastou R$ 6,2 milhões com o pagamento do benefício nesse período.
Yeda rejeita a TV Brasil, de graça, e paga para ter Cultura
O governo gaúcho, da tucana Yeda Crusius, rejeitou uma proposta para que a TV educativa local, a TVE, retransmita a TV Brasil, do governo federal, para renovar contrato em que passará a pagar para veicular programas da TV Cultura -emissora ligada ao governo tucano de São Paulo. Abrir mão da parceria com a TV Brasil significará para a TVE a perda de pelo menos R$ 500 mil em produção de programas ao ano, além de investimentos para migração para o sistema digital.
A emissora gaúcha fica ainda obrigada a mudar de sede, já que o prédio que ocupa há 30 anos e que pertencia ao INSS foi comprado pela EBC (Empresa Brasil de Comunicação), responsável pela TV Brasil.
PSOL solicita o impeachment do vice-governador
O PSOL protocolou anteontem, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, pedido de impeachment do vice-governador Leonel Pavan (PSDB), que responde a denúncias sob suspeita de corrupção.
O pedido deve ser analisado só em fevereiro, quando acaba o recesso. O PSOL não tem nenhum deputado na Assembleia. Pavan foi indiciado pela Polícia Federal na Operação Transparência. Ele é suspeito de ter recebido dinheiro para beneficiar empresários que tentavam recuperar, na Secretaria da Fazenda, a inscrição fiscal de uma distribuidora de combustíveis, cancelada por sonegação.
Fonte: Jornais do dia