GERAL

Manejo e qualificação são fatores primordiais para o sucesso da apicultura

Criar abelhas é uma arte, mas não basta ter apenas algumas colmeias para ser um apicultor. É preciso entender o comportamento social delas, sua biologia e estar sempre se atualizando sobre técnicas de manejo e produção. É isto que torna a arte da apicultura ainda mais nobre e cativante. De acordo com o pesquisador José Almeida de Arruda vários fatores influenciam na produção apícola e é fundamental conhecê-los muito bem para ter um manejo de sucesso.

O clima, o lugar, o pasto apícola, a rainha, tudo influencia na produção do apiário. O clima ideal é aquele com estações secas e úmidas bem definidas. Sendo assim, Mato Grosso é considerado um estado com um potencial muito grande para o desenvolvimento da cadeia produtiva da apicultura. Com os períodos bem definidos, há uma maior concentração das floradas logo após o período chuvoso. “Ainda sobre o tempo é importante destacar que não seja muito frio ou nem muito quente. O ideal é de 20 a 30 graus”, pontua Arruda.

O apiário é outro fator importante para aqueles que optam pela apicultura. De acordo com o pesquisador, a quantidade de colmeias por apiário é determinada pela flora apícola de cada região. As áreas do lavrado suportam em torno de 20 colmeias, já na mata pode-se chegar a 50 ou mais. “O apicultor pode aumentar o número de colmeias até perceber uma redução na produção”. Arruda complementa dizendo que a colmeia em produção não deve ser manipulada excessivamente, e a troca de uma rainha por outra pode permitir que as operárias coloquem o mel nos favos de crias, diminuindo o espaço disponível para a postura.

Água. Este é outro item que está entre os mais importantes no desenvolvimento da apicultura. É necessário que haja água num raio de 500 metros das colmeias. Em caso de a distância ser maior que esta, é necessário improvisar bebedouros. Além da água vários outros fatores como a temperatura, o vento, altitude, espaço disponível, qualidade genética e até mesmo o manejo diário das colmeias pode influenciar na produção do mel.

A época de colheita de mel varia conforme o modelo de negócio, clima, região, localização e plantas próximas ao apiário. Há locais onde se realizam apenas uma colheita por ano, e outros onde há três ou quatro floradas de importância apícola no ano. Há ainda a possibilidade de montar apiários migratórios, que aproveitam mais ainda as floradas, colhendo mel de acordo com uma rota preestabelecida.

Para os interessados em investir em apicultura, o ideal é procurar a associação ou cooperativa de apicultores da região para saber qual o padrão de floradas da região onde pretende montar o apiário. A capacitação e a qualificação também são muito importantes antes de começar a atividade. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (SENAR-MT) oferece os treinamentos de apicultura, manejo avançado na apicultura e produção de abelhas rainhas do gênero APIS.

Dicas
Colmeias – é comum acontecer o abandono das colmeias por falta de alimento. O apicultor deve estar atento a alimentação. Além disso, as colmeias costumam enfraquecer na época da baixa florada. Para minimizar esse problema a dica é uni-las, para que fiquem mais populosas. Desse modo, diminui-se o número de colmeias, mas aumenta-se a população das famílias, o que resulta num maior número de abelhas disponíveis para a coleta do alimento.

Melgueiras – devem ser colocadas na colmeia quantas melgueiras forem necessárias, no mínimo de duas. E sempre acrescentar mais quando as antigas estiverem cheias, ou colher o mel imediatamente.

Mudança de rainha – se as abelhas de uma colmeia capturada tiverem sua rainha trocada por uma selecionada, elas podem mudar de comportamento. Assim, logo começam a nascer as operárias filhas da rainha introduzida, que herdam a genética e o comportamento da mãe. As rainhas introduzidas deverão provir de criadores idôneos que fazem seleção para produção e resistência às doenças. É importante estar sempre atento. A principal característica de uma abelha rainha velha é a diminuição do feromônio real e da postura.

Alimento das abelhas – na época de poucas flores, as abelhas passam fome, e o alimento artificial serve como substituto do néctar e do pólen das flores. Também é importante para evitar que a família abandone a colmeia. Para alimentar as abelhas usa-se xarope com 50% de açúcar ou mais, na falta de néctar, e farinha de soja na falta de pólen. O xarope deve ter a dosagem de 50% de água e 50% de açúcar comum, na proporção de 1/1. O mel sujo pode ser misturado com água e devolvido para as abelhas em forma de xarope.

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