Audiência aproxima o CCZ e entidades de defesa dos animais

Fazer um atendimento mais digno aos animais abandonados nas ruas de Rondonópolis, conforme determinação doprefeito Percival Muniz, tem sido colocado em prática no Centro de Controle de Zoonoses. A afirmação foi feita pelo médico veterinário Marcelo Oliveira durante audiência pública na Câmara de Vereadores nesta quinta-feira (29), na qual foi discutida a problemática do abandono dos animais no município.
Além do veterinário, estiveram presentes na Audiência Pública a gerente da Vigilância Ambiental e do CCZ, Fátima Melo; integrantes de entidades não governamentais que atuam na defesa dos direitos animais; a representante do Juvam (Juizado Volante Ambiental), Elza Gonçalves Prado; e os vereadores Adonias Fernandes e Olímpio Alves. A audiência foi avaliada com importante para aproximação dos órgãos públicos e as entidades de defesa animal.
Durante a audiência, as entidades que defendem os animais fizeram uma ampla explanação sobre a problemática do abandono. Segundo a presidente da Ong Cantinho de Proteção Animal, Mirna Mendonça, o abandono é o principal problema de Rondonópolis. “As pessoas deixam os animais nas ruas, rodovias, amarram sem chance de sobrevivência”, cita.
Ela acrescentou que a boa vontade já demonstrada pelo poder público – tanto prefeitura como Câmara de Vereadores – em discutir a implantação de políticas públicas claras para essa questão, com a participação e contribuição das entidades de defesa dos animais, é um passo importante para que o município se torne referência quando o assunto for os cuidados com animais.
“Mudar o quadro atual. Ter um olhar com dignidade e carinho para os animais poderá fazer com que nos tornemos uma cidade modelo, não só para o Estado, mas para todo o país”, concordou com Mirna a presidente de outra entidade de defesa dos animais, a Arpaa (Associação Rondonopolitana de Proteção aos Animais Abandonados), Mara Rodrigues Oliveira.
Marcelo ressaltou que o abandono é realmente um sério problema a ser enfrentado. “Tem animais que são descartados pelos donos simplesmente por que foram atropelados, ficaram velhos ou por que estão com doenças de pele que as pessoas confundem com sintomas da leishmaniose. Falta consciência dessas pessoas”, adverte o profissional.
Ele salientou que para reverter este quadro somente com desenvolvimento de projetos de conscientização, através da educação e controle da população animal, como a castração, por exemplo. Mudar esta cultura é o desafio e que necessita, também, de vontade política.
Marcelo lembrou que há duas semanas o prefeito Percival o chamou ao Palácio da Cidadania, em seu gabinete, para se reunir com a ONG Cantinho de Proteção Animal. Na ocasião, em que se discutiu um pouco da problemática do abandono de animais, o prefeito solicitou que fosse feito no CCZ um atendimento mais digno, além de um projeto de controle da população animal.
Segundo Marcelo, somente no CCZ, mensalmente, cerca de dois mil animais passam por exames de leishmaniose e controle de doenças que podem ser transmitidas para a população. Desse total, segundo o veterinário, são sacrificados todos os meses 250 cães e gatos, a maioria por doenças que poderiam ser tratadas.
Posse responsável
A gerente da Vigilância Ambiental e do CCZ, Fátima Melo, avaliou positiva a audiência, pois serviu para aproximar as entidades de defesa e proteção dos animais abandonados do órgão. “Esta troca de informação é importante e ajuda a aprimorar o trabalho que é desenvolvido”, salientou.
Ela informou que desde o início do ano o órgão já está trabalhando com a conscientização das pessoas sobre a posse responsável dos animais e dos cuidados necessários para manter a saúde deles.
“Estamos fazendo esta orientação às Agentes de Saúde Ambiental, que estão em contato direto com a população, para que conversem, orientem e estimulem a quem tem cão ou gato em casa a cuidar dos animais, de modo a não deixá-los na rua, até mesmo para que não corram risco de se contaminar, sofrer acidentes, pegar doenças sem cura”, citou Fátima.
Melo lembrou, ainda, que o CCZ não é um abrigo de cães e gatos. O Centro trabalha pra promover a saúde por meio do controle de doenças em animais. “Por isso, recebe e recolhe os bichos doentes pela cidade, com o objetivo de evitar que certas moléstias se espalhem. Todavia, pouca gente entende que o trabalho do Centro é o de promover a saúde por meio do controle de doenças em animais, que podem oferecer risco aos seres humanos. Não é uma casa de abrigo como muitos pensam”.
Doações
Para adotar algum dos animais que estão no Centro é preciso ser maior de 18 anos e preencher uma ficha com todos seus dados pessoais, por fim, basta assinar um termo de posse responsável como garantia.
“Quem assinar o termo terá que ter muito cuidado, pois caso o bicho seja novamente recolhido pela carrocinha, o proprietário será responsabilizado, podendo responder por crime ambiental de maus-tratos ou enquadrado na Lei Municipal de Posse Responsável”, explicou.