POLÍTICA

Acordo na ONU sobre saúde abre racha entre Brasil e países ricos

Um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva denunciar a desigualdade no sistema internacional, ao discursar na abertura da Assembleia Geral da ONU, uma negociação sobre prevenção de futuras pandemias abre um mal-estar diplomático entre o Brasil e os países ricos.

Na ONU, a entidade destinará nesta quarta-feira parte do segundo dia da assembleia para realizar uma cúpula na qual governos vão confirmar seu compromisso por medidas que possam prevenir uma futura pandemia e preparar as sociedades para lidar com novos surtos. A reunião de alto escalão é uma resposta à crise sanitária da covid-19, que matou milhões de pessoas pelo mundo.

Também nesta quarta-feira, Lula se reunirá com o diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Ghebreyesus, alvo de ataques do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A declaração política que será anunciada ao final do encontro dos líderes, porém, está sendo contaminada por críticas e enfrentamentos entre os diferentes grupos. Na avaliação dos emergentes, entre eles o Brasil, o texto da declaração foi negociado sem a transparência necessária e consultas aos diferentes grupos de países.

Mas o maior problema, segundo o Brasil, é a falta de compromisso dos países ricos com qualquer gesto de transferência de tecnologia para a produção de vacinas ou qualquer outro produto que possa lidar com surtos.

O acesso às doses dos imunizantes foi alvo de acalorado debate durante a covid-19, com países ricos se recusando a abrir mão das patentes desses produtos e acumulando reservas que desabasteceram o mercado internacional.

Ainda hoje, a OMS considera que a desigualdade na vacinação foi um dos maiores fracassos da atual geração de políticos no mundo, impedindo que milhares de vidas pudessem ter sido salvas.

Os problemas, segundo os negociadores brasileiros, não se limitam ao evento político em Nova York, com a presença da ministra da Saúde, Nísia Trindade.

Fonte: UOL

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo