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Bolsonarista que humilhou trabalhadora fraudou Auxílio Emergencial e responde por sonegação

O empresário Cassio Joel Cenali, de Itapeva (SP), bolsonarista declarado que filmou o momento em que humilhava uma mulher em situação de fome por votar em Lula recebeu R$ 5 mil de Auxílio Emergencial do governo e responde a processo na Justiça e pode ter cometido crime. “Ela é Lula. A partir de hoje não tem mais marmita”, afirma no vídeo, em tom de desprezo e deboche. Além de despertar a solidariedade de muitos, o empresário despertou também indignação, como a do deputado estadual Emidio de Souza (PT), que ingressou na Justiça contra Cassio.

“Ademais de um ato abjeto, desumano, o vídeo revela o que pode ser um crime (de compra de voto). O TSE tem consolidado entendimento no sentido de que ‘a condição de candidato não é fundamental para a consumação do crime de corrupção eleitoral’. Que a prática do crime capitulado no art. 299 do Código Eleitoral pode ser cometido inclusive por quem não seja candidato, uma vez que basta, para a configuração desse tipo penal, que a vantagem oferecida esteja vinculada à obtenção de votos'”, afirma o parlamentar.

Além deste possível crime, o empresário é alvo de ação por ter pago com cheques sem fundos uma compra de gado, além de por sonegação de impostos. além disso, durante a pandemia de covid-19, Cenali recebeu 15 parcelas de Auxílio Emergencial, benefício criado para a parcela mais vulnerável da população.

A atitude cruel do bolsonarista despertou a sociedade civil em apoio à vítima, Ilza Ramos Rodrigues. O Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) já entrou em contato com ela e se comprometeu a pelo menos seis meses de cesta básica com produtos da agricultura familiar. Também se manifestaram em solidariedade pessoas de diferentes espectros políticos. Lula mesmo mandou uma mensagem sobre o episódio. “Negar ajuda para alguém que passa dificuldades por divergência política é falta de humanidade. Minha solidariedade com essa senhora e sua família. O Brasil vai voltar a ter dias melhores”, disse.

Também se manifestaram parlamentares como Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Alexandre Padilha (PT-SP), Orlando Silva (PCdoB-SP), Marcelo Freixo (PSB-RJ), entre outros. Artistas também se colocaram à disposição para ajudar, como Daniela Mercury, Pabllo Vittar, Rafael Portugal e Antonio Tabet. Mesmo o apresentador Luciano Huck, da TV Globo, pediu o contato de Ilza. “Fome não tem ideologia. Precisamos fortalecer o que nos une e não o que nos separa (…) Me ajudem a chegar nessa senhora, por favor?”, disse em uma rede social.

HUMILHAÇÃO
Ilza é diarista, tem 52 anos e trabalha na roça desde os oito anos. Ela é mãe de três filhos e vive de bicos e de ajuda. À Folha de S.Paulo, Ilza disse que não pretende processar o empresário, mas lamentou o fato. “Fica guardado na cabeça. Tem gente que, porque tem um dinheirinho a mais, acha que pode falar o que quiser para o humilde. E a gente fica triste por isso”, disse.

Em entrevista para o portal Itapeva Alerta, a diarista relatou o embaraço que se sentiu mal com a situação. “Quando o homem falou daquele jeito, fiquei mal. Me senti humilhada porque, para mim, uma pessoa que tem dinheiro, o carro que tem, não tem direito de humilhar os mais humildes”, afirmou. “Não esperava que ele fizesse isso, porque essa marmita me ajudava e ajudava outras pessoas. Eu dividia, dava para duas famílias. O que ele falou para mim foi muito ruim. Não imaginei que teria essa repercussão. Foi um susto ter levado isso na cara, essa humilhação”, completou.

 

Da Redação (com RBA)

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