Constantes altas no preço da carne bovina: POPULAÇÃO COME MAIS OVOS E MENOS BIFE

O tradicional churrasquinho do final de semana, reunindo familiares e amigos, é uma cena cada vez mais rara de se observar em milhares de casas brasileiras. A churrasqueira já foi aposentada e deu lugar à frigideira. Até mesmo nas refeições diárias os hábitos alimentares mudaram, com as altas constantes no preço da carne bovina, o jeito é substituir o bife mal passado pelo tradicional ovo frito.
Desde o final do ano passado que a carne bovina vem sofrendo aumentos frenéticos e isso é claro impacta diretamente na mesa do consumidor. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), os reajustes nos preços da carne bovina aconteceram semanalmente desde o mês de janeiro. O corte que mais sofreu aumento de preço entre maio de 2020 e o mesmo período deste ano foi o músculo.
No ano passado o consumidor pagou R$ 20,41 pelo quilo desta carne e hoje tem que desembolsar R$ 30,55 pelo mesmo produto, o que representa um aumento de 49.70%. Em segundo lugar na lista de aumentos está a capa do filé, o corte que custava R$ 20,95 no ano passado hoje custa R$ 30,21, o reajuste foi de 44. 17%. Já a tradicional picanha para o churrasco (sonho de consumo para muitos brasileiros), é possível ser encontrada nos açougues em Rondonópolis nos valores que variam entre R$ 70,00 e R$ 115,00. Foram exatamente esses reajustes constantes e desenfreados que segundo a Ângela, gerente de um dos açougues em Rondonópolis, fez com que o consumo da carne bovina caísse em média 30% neste início de ano. Se por um lado cai o consumo de carne bovina, por outro, faz com que o consumidor inclua em seu cardápio proteínas alternativas, como o ovo de galinha por exemplo.
Para se ter uma ideia, no ano de 2019 o consumo per capita deste alimento era de 235 unidades, no ano passado saltou para 260 e a estimativa é de um aumento de 5% para este ano. Porém, segundo Cláudio Bonetto, gerente comercial da Granja Campo Verde, localizada na cidade de mesmo nome no estado de Mato Grosso, e que abastece grande parte do mercado em Rondonópolis, os produtores do ramo também enfrentam alguns problemas provocados pela crise pandêmica em que atravessam o país e o mundo. "Nosso maior desafio em relação à produção está relacionado aos altos custos dos insumos.
Pra se ter uma ideia, no ano passado pagávamos R$ 32,00 na saca do milho, hoje a mesma saca custa R$ 80,00. Sem falar que o poder aquisitivo da população caiu e até mesmo para comprar o nosso produto muitas famílias estão tendo dificuldade", pontuou o gerente comercial. A granja administrada por Bonetto produz 1 milhão e 330 mil ovos por dia, este produto deve ser absorvido pelo consumidor final no prazo de 25 dias. Se comparado à carne bovina, o ovo de galinha é uma das proteínas mais acessíveis falando do ponto de vista econômico/financeiro. Enquanto o quilo da carne mais barata gira em torno de R$ 22,85 (costela), o ovo branco custa R$ 6,90 a dúzia.
Porém, há de se levar em consideração o valor proteico do alimento; enquanto um bife de 100 gramas possui em média 23g de proteína, 100 g de ovo equivale a 11 gramas de proteína. Logo, é necessário consumir três ovos para alcançar a mesma quantidade de proteínas que um bife fornece. PROBLEMAS SOCIAIS A queda no consumo da carne bovina provocou outros problemas no mercado local, um exemplo disso foram as demissões de profissionais ligados ao setor de açougues e frigoríficos. "Tivemos que dispensar cinco funcionários somente neste início de ano. Não é uma situação agradável pra ninguém, mas infelizmente não temos como absorver os prejuízos do período", lamentou Ângela, gerente de açougue.
Fonte: Da Redação