GERAL

Vendedores reclamam de prejuízo pessoal e confirmam queda nas vendas após Rotativo

O discurso de que as vendas aumentariam com a maior oferta de vagas de estacionamento, após a instalação de um sistema rotativo, no centro de Rondonópolis, definitivamente não se confirmou na prática. Na última semana, a reportagem do Folha Regional saiu às ruas e ouviu as principais testemunhas da nova situação: os vendedores das lojas de roupas e eletrodomésticos. Eles relatam que, na prática, o ato da venda ficou mais dificultado após o rotativo e o estoque tem se acumulado. Os trabalhadores ainda se queixam do prejuízo pessoal que estão tendo, por ter de pagarem para deixar seus veículos, na maioria das vezes, em estacionamentos empresariais.
Há 16 anos na profissão de vendedor e na mesma loja de eletrodomésticos, localizada na Avenida Amazonas, Arlindo de Souza, conta que a maioria dos clientes não gasta mais do que alguns minutos nas lojas, temendo pagar mais pela vaga ocupada na rua, e acaba não tendo tempo para conhecer os produtos e ofertas. “A pessoa chega com pressa já de ir embora porque senão estoura o horário e ela corre o risco de pagar mais pela vaga de estacionamento, ou mesmo ser guinchado. Então aquela coisa da gente conversar calmamente, mostrar os produtos da loja e mesmo a pessoa conferir as prateleiras não existe mais. Claro que prejudicou. Caiu sim as vendas”, admitiu.
Já a vendedora Dioeni da Silva, de 51 anos, que atua em uma loja de roupas, também na Amazonas, confirma as palavras de Arlindo e diz que não só a estadia dos clientes nas lojas ficou mais acelerada, como tem gente que nem mesmo estaciona os carros. “Ás vezes a pessoa passa na rua, com o carro olhando, mas não para e vem ver porque tem de pagar. É uma situação complicada que faz a pessoa pensar duas vezes sim antes de vir ao centro da cidade. Não aumentou a movimentação como falavam que ia ser não”, disse.
Outro profissional das vendas, o jovem Wende Martins, garante que mesmo as ofertas estão saindo menos após a instalação do rotativo. “Tem aquele cliente que vem especificamente para comprar um produto. Este chega agora, pega este produto vai no caixa paga e sai correndo. Mas também tem aquele que está andando no centro, passa na frente da loja, vê a promoção e entra conferir. Este segundo diminuiu muito depois do estacionamento porque não compensa mais para ele. Para o trabalhador então, como nós, que tem de vir para o centro todo dia, a melhor saída ainda é fechar um pacote mensal com um estacionamento privado, porque se pararmos na rua vamos gastar por volta de R$ 250,00 por mês, isto de viermos de moto, porque de carro isto dobra. Quem aguenta um custo desse?”, questiona o rapaz.
Colega de loja de Wende, a trabalhadora Simone Coracy Oliveira diz que atualmente está pagando R$ 60,00 por mês a um estacionamento privado para deixar sua moto todo dia no espaço e reclama do prejuízo. “Isto significa R$ 720,00 por ano e tem gente que paga muito mais que eu. Se fosse na rua então, o absurdo seria muito maior, além de que cada duas horas eu ia ter de ‘largar o serviço’ para ir lá mudar a moto de lugar. Se, de fato, esta estacionamento tivesse melhorado as vendas, pelo menos quem trabalha por comissão tiraria o custo, mas isto não ocorreu. Na minha opinião, Rondonópolis não estava preparada para este sistema. Até porque quase que todo dia tem problema técnico nestas máquinas e a gente vê briga todo dia na porta da loja por causa disso”, critica.
ACIR segue a favor do Rotativo
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Rondonópolis – Acir, José Luiz Gonçales, disse que, pessoalmente, concorda com o estacionamento Rotativo e não ‘vê a hora’ do sistema chegar na rua de seu escritório. “Eu fico ali na Ponce de Arruda e não vejo a hora deste sistema chegar na minha rua, porque tem dias que eu tenho de parar uma, senão duas quadras do meu trabalho (…) Quanto a este fato de ter aumentado ou não as vendas, é difícil fazer esta análise porque o sistema foi instalado em meio a uma crise financeira muito grande. Talvez isto justifique”, analisa.
Da redação

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo