EDUCAÇÃO

Alunos já consomem alface cultivada por eles na escola

Alunos da Escola Padre Dionísio Kuduavizcz na comunidade Cascata (a 45 quilômetros de Rondonópolis) estão cultivando alface através da técnica de hidroponia. O projeto só foi possível através da inserção da escola no ‘Mais Educação’, programa do Governo Federal, que tem entre as metas garantir dinâmicas e metodologias que reforcem a cultura das pessoas que vivem no campo, incluindo a prática da agricultura familiar. O custo total do projeto para a escola foi de R$ 3,5 mil e garantirá alface na mesa dos alunos durante todo o segundo semestre deste ano.

Para abrigar os 900 pés de alfaces foi construída uma estufa recoberta de tela para que o sol não castigue as folhas. O local é fechado para inibir o ataque de insetos. Dentro, canos com torneirinhas, sobre espécies de bancadas com tubos PVC furadinhos servem de suporte para as alfaces. Uma bomba e caixas de água fazem com que não falte água para as plantas e elas estejam sempre irrigadas na medida correta. A água utilizada no processo é de poço artesiano e é trocada a cada dois meses quando é feita a limpeza das caixas. Antes de ir para os tubos de PVC onde vão crescer, as sementes ficam num berçário até atingirem entre 4 a 5 centímetros. As sementes usadas são peletisadas, diferentes das convencionais são revestidas e geralmente possuem substâncias para melhorar desenvolvimento da planta. Depois do berçário, ficam em copinhos de cafezinho e posteriormente ficam soltas no PVC até atingirem o tamanho para serem colhidas, o que ocorre em média em 45 dias.

Os cuidados diários são feitos pelos alunos e pelo diretor da escola que também é o construtor da horta hidropônica. Marionildo Marzochi Antônio lembra que para a construção foram usados materiais que a escola já tinha, como canos e madeira. Para ele, o projeto despertou o interesse das crianças que cuidam diariamente das alfaces juntamente com o diretor e o monitor Cosme Damião Freitas. Todo o processo também recebe atenção semanal de um engenheiro agrônomo, que verifica o desenvolvimento das plantas e se elas estão ou não tendo ataque de pragas.

“Temos que trabalhar na escola coisas que estejam de acordo com a realidade de quem vive na zona rural. Escolhemos cultivar alface hidropônica porque já tínhamos na escola uma horta normal e estamos mostrando alternativas para os alunos ensinando como se acompanha a planta. Depois isso pode vir a ser outra fonte de renda na casa deles”, explicou.

A primeira leva de alfaces foi para a mesa das crianças, que almoçam na escola da zona rural, na semana passada. As folhas são mais macias, com aparência saudável, cultivadas sem nenhum tipo de agrotóxico. Hoje somente espécies de alface são cultivadas, pés de americana, crespa e lisa já estão prontas para serem colhidas.

A secretária de Educação do município, Ana Carla Muniz, que provou da alface cultivada na escola salientou a qualidade do que se produz no local. “Um pé de alface produzido ali dá para servir duas refeições, enquanto que o comprado no supermercado serve apenas uma refeição, isso sem contar na cor, na maciez, pois não há agrotóxico, o que enaltece o sabor. Estamos oferecendo para os nossos alunos um produto de qualidade que reforça a alimentação. Estamos orgulhosos do projeto.”

Os alunos sabem todo o processo. Explicam todos os passos com propriedade, inclusive a diferença das sementes e o período em que ficam no berçário e prontas para ficarem soltas no PVC. João Vitor Lemos de Oliveira, aluno do 8º ano quer fazer uma horta hidropônica em casa. “Já tenho em casa uma horta em forma de mandala, agora quero fazer uma dessas. Gosto de ver as alfaces crescendo”.

Para a professora de Linguagem, Nirlei Ribeiro Teotônio, a horta ajuda nas aulas principalmente na união da teoria com a prática. Os alunos aprendem também os benefícios de consumir verduras. “A hidroponia também pode vir a ser uma fonte de renda da família”.

A interação entre família e escola acontece na comunidade de forma natural. Cosme Damião que cuida das hortas conta que os alunos pedem mudas de plantas para cultivar na casa deles e muitas vezes também trazem mudas para a escola. Boa parte das frutas verduras e legumes usados na merenda dos alunos são cultivados ali, como rúcula, alface roxa, salsinha, cebolinha, coentro e frutas como banana, acerola, manga, tamarindo, maracujá, noni, coco e goiaba.

Na Escola Padre Dionísio o tom da inovação está presente em várias ações. De lá também saiu o projeto de internet para as demais escolas rurais, uma rádio também funciona na unidade.

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