ESPORTES

GP Brasil

Não existe nada tão vibrante no esporte, seja ele futebol ou corrida, do que a torcida. Nesses dois casos, o apoio do público aos times e pilotos/jogadores beira a paixão descabida, algumas vezes exagerada. Mas, na maioria das oportunidades, saudável para ambas as partes.

Às vésperas do GP do Brasil, a cidade de São Paulo vai ganhando novas caras e sotaques, mas o coro da maioria – tirando equipes, pilotos e jornalistas, obviamente – é um só e corresponde a duas palavras: “Felipe Massa”.

Primeiro brasileiro a disputar verdadeiramente um título de F-1 nos últimos 17 anos, desde o finado Ayrton Senna [Rubens Barrichello foi vice-campeão em 2002 e 2004, mas sua única função foi escoltar Michael Schumacher], Massa ganha contornos de deus nos dias que antecedem a grande final da F-1, mesmo com pouquíssimas chances de ser campeão. Algo mais que previsível.

E, como nesses dias todos os pilotos são ouvidos à exaustão pelos jornalistas, nada mais justo do que dar um pouco de atenção aos torcedores, que tem no Orkut o principal ponto de encontro. Na comunidade virtual “Felipe Massa do BRASIL!!!” [com o nome do país em caixa alta, mesmo], mais de 52 mil pessoas se comunicam, discutem, torcem, marcam encontros e até brigam por causa de seu piloto favorito.

“Muita gente quer reviver a época de (Ayrton) Senna e (Alain) Prost”, comenta Gabriel Leão, paraense de 25 anos e um dos moderadores da comunidade. “O fato de nossa comunidade ser aberta para qualquer um entrar facilita tais brigas. Elas devem acontecer sempre, são saudáveis. Mas o que não toleramos, e tentamos evitar, são xingamentos”, destacou.
número de participantes aumenta a cada minuto. No momento em que você estiver lendo esta linha, mais de cinco pessoas novas podem ter se associado ao grupo. “A entrada dos comunitários depende muito do progresso do piloto. Quando Felipe ganha, às vezes temos um aumento de 200 a 300 novos comunitários no próprio domingo. Caso contrário, entram cerca de 30 por dia.”

Tal espaço não podia ser mais propício para as mais diversas loucuras e demonstrações de amor irrestrito ao ídolo da Ferrari. Sem citar o nome da pessoa, Gabriel faz uma descrição de um desses usuários fanáticos. “Temos uma garota de 13 anos que é completamente apaixonada pelo Felipe. O perfil dela é completamente voltado pro Massa; tudo o que ela faz para ter a atenção dele é realmente uma loucura. Aliás, acho que se tivesse que escolher alguém para conhecer o Felipe na comunidade, escolheria ela.”

E não pára por aí. “Na comunidade, existem pessoas que tentam a todo custo entrar em contato com o Massa, que seja via mensagens ou declarações. Muita gente pede para passarmos o perfil do irmão dele, Dudu, já que ele acessa e manda recados através desse meio, mas respeitamos a privacidade dos dois.”

O próprio Massa conta algumas das maluquices que já passou na carreira. “Cara, são tantas que nem consigo escolher uma mais maluca. Teve uma vez, quando deixei um autódromo, que uma pessoa queria que eu a levasse comigo para casa”, comentou ao Grande Prêmio. O fã-clube oficial, controlado pela empresa do piloto brasileiro, também revelou um dos pedidos mais recebidos: “O que tem de gente que pede o MSN dele não é brincadeira. Isso sem contar os que pedem credenciais para o GP do Brasil.”

Sobre o assédio dos fãs desde que voltou para São Paulo, na semana passada, Massa afirma que não teve nenhum problema. Pelo menos, até agora. “Estou andando na rua tranqüilamente, de carro. Até correndo a pé na rua estou. Neste caso, já estou correndo, então não tenho problemas quando alguém se aproxima”, comentou Felipe, rindo.

“Claro que, se for ao supermercado, não vou conseguir dar um passo. É normal o assédio dos fãs. Eles sempre querem conversar, estar perto”, ressaltou o piloto, que topou relembrar seus dias de torcedor, do outro lado do alambrado.

“Já torci muito, mesmo. Nunca me esqueço da classificação para o GP de 1999. Estava no setor A e vi o Rubinho (Barrichello) se classificar em terceiro. A cada volta, o povo levantava, vibrava, ficava cada vez mais agitado. É uma sensação única”, destacou.

O pai de Felipe, Titônio, também comentou a paixão do filho. “Na verdade, quem gostava de corridas era eu, e sempre levava ele comigo. Quando chegava o dia, ele nem precisava de despertador: já estava de pé, me esperando para sair.”

E quem pensa que o piloto não percebe o apoio da torcida enquanto corre está totalmente enganado. “Claro que a gente percebe”, assegura Felipe. “A gente vê quando o publico levanta e vibra, principalmente depois de uma ultrapassagem. Sempre notamos a movimentação das arquibancadas, os flashes das máquinas, não tem como. E isso sempre estimula a acelerar mais”, continuou.

Sendo assim, torcedor, faça barulho nas arquibancadas. Ele vai perceber.
ULTIMO SEGUNDO

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo