Pesquisadores utilizam biofertilizante no cultivo da banana da terra em Mato Grosso

Devido a incidência da doença Sigatoka Negra, que ataca as folhas da bananeira afetando o crescimento e a produtividade das plantas e diminuindo a qualidade dos frutos, o pesquisador da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Humberto Carvalho Marcílio e parceiros vão avaliar o efeito da adubação com biofertilizantes e silício no cultivo orgânico da banana da terra (farta velhaco) ou de fritar. O projeto é implantado no Campo Experimental, no município de Cáceres (225 km a Oeste de Cuiabá) com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapemat).
O pesquisador Humberto explica que os sistemas orgânicos almejam a produção de alimentos saudáveis, por meio de métodos agrícolas que respeitem os processos naturais, neste contexto, os biofertilizantes estão sendo usados para complementação de nutrientes via aplicação foliar, além de contribuírem no controle de algumas doenças em frutíferas. Os biofertilizantes podem ser feitos com qualquer tipo de matéria orgânica fresca, como estercos e restos vegetais. A adubação com silício pode estimular o crescimento e a produção vegetal da planta, além de favorecer na indução à resistência de doenças fúngicas.
O trabalho de pesquisa, que apresentará resultados em fevereiro de 2012, quando acontece a primeira colheita do fruto, é direcionado para agricultores familiares que não fazem adubação e tratos culturais. Conforme Marcílio, esses dois fatores contribuíram para o declínio das áreas de plantio e o aparecimento de pragas e doenças. “A planta fica desnutrida e estressada, não aguentando o ataque de doenças. Essa é mais uma alternativa de adubação de menor custo, não agride o meio ambiente e poderá ser utilizado pelo pequeno produtor”, enfatiza Carvalho.
Ele acredita que o trabalho de pesquisa vai gerar alternativas para conviver com as doenças fúngicas, reduzindo drasticamente o uso de agrotóxico, gerar informações, dados nas regiões favoráveis à incidência da Sigatoka Negra e viabilizar a sustentabilidade da bananicultura no Estado de Mato Grosso. A banana da terra é a cultivar mais plantada e procurada, até hoje não existe uma cultivar resistente. Alguns trabalhos de pesquisas vêm sendo desenvolvidos pelo pesquisador da Empaer, buscando disponibilizar novas cultivares resistentes e adaptadas às condições climáticas do Estado.
As mudas usadas no Campo Experimental da Empaer foram adquiridas nos laboratórios de cultura de tecidos vegetais, isentas de pragas e doenças a fim de viabilizar um sincronismo na produção para formar bananais uniformes. A pesquisa vai avaliar a resistência da planta ao ataque da Sigatoka. O projeto conta com a participação de membros da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Centro Universitário de Várzea Grande (Univag) e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (IFMT).
EVOLUÇÃO
A Sigatoka Negra é uma doença causada pelo fungo Mycospharella fijiensis e pode acarretar perdas de até 70% na produção, o que pode gerar necessidade de importação do produto para atender o mercado interno. No Brasil a bananeira é cultivada numa área aproximada de 505 mil hectares, com uma produção de 6,9 milhões de toneladas de frutos. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1997, o Estado de Mato Grosso possuía uma área de 56 mil hectares de banana e após 10 anos, com infestação da Sigatoka, reduziu para 7,5 hectares plantados com a cultura da banana.
Segundo Marcílio, a bananicultura é explorada principalmente por pequenos produtores, que utilizam a mão-de-obra familiar. Estima-se que a cultura empregue cerca de seis pessoas por hectare ao ano. Mato Grosso apresenta condições climáticas satisfatórias para o desenvolvimento de uma cultura competitiva. “Estamos buscando um sistema de cultivo mais equilibrado e capaz de atender a demanda interna dos próprios municípios, reduzindo a evasão de divisas e gerando alternativas de renda com menor impacto ao meio ambiente”, destaca Humberto.
Fonte:EMPAER/MT