POLÍTICA

Com quase um milhão de assinaturas, Carta pela Democracia é lida em ato público

A carta em defesa da democracia organizada por juristas foi lida no começo da tarde de hoje (11 de agosto) em evento organizado pela Faculdade de Direito da USP, conhecida como São Francisco, na região central de São Paulo. Após a leitura do documento, que reúne quase um milhão de assinaturas, a plateia que acompanhava o ato dentro do prédio reagiu com gritos de "Fora, Bolsonaro". Mais cedo, no mesmo prédio da faculdade, foi lido o documento feito pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) também em defesa pela democracia.

Embora as duas cartas não citem diretamente o presidente Jair Bolsonaro (PL), elas são vistas como uma resposta às declarações golpistas do mandatário contra o processo eleitoral no país, em especial contra as urnas eletrônicas. Nos discursos feitos antes das leituras, os oradores tiveram a preocupação de não citar o nome do presidente.

A "Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado democrático de direito" foi lida em partes por Eunice de Jesus Prudente, Maria Paula Dallari Bucci e Ana Elisa Liberatore Bechara, professoras da Faculdade de Direito da USP, e pelo jurista Flavio Flores da Cunha Bierrenbach, ex-ministro do STM (Superior Tribunal Militar). A leitura ocorreu no Pátio das Arcadas, mesmo local onde foi lida a "Carta ao Brasileiros", em 1977.

Já o manifesto da Fiesp foi lido pelo advogado José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça, no Salão Nobre do prédio. Os dois locais estavam lotados por políticos, membros da sociedade civil e celebridades, que aplaudiram de pé. A leitura do ex-ministro foi interrompida por aplausos no momento em que ele citou a importância do STF (Supremo Tribunal Federal) para a democracia no país.

Enquanto ele lia a carta, uma passeata organizada por movimentos sociais partiu em direção à avenida Paulista saindo de frente da faculdade.

APOIOS
Personalidades como Walter Casagrande, ex-jogador de futebol e colunista do UOL, e a cantora Daniela Mercury também estiveram presentes. Enrolada em uma bandeira do Brasil, a artista chegou a se apresentar para o público.

Autoridades do meio jurídico, como Miguel Reale Júnior, ex-ministro da Justiça no governo FHC (Fenando Henrique Cardoso), Dimas Ramalho, presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), e Mario Sarubbo, procurador-geral de Justiça do MP-SP (Ministério Público de São Paulo), estiveram no local.

"Queremos eleições livres e tranquilas, um processo eleitoral sem fake news, pós-verdades ou intimidações. Estamos voltados a impedir retrocessos. Espero que essa mobilização nos coloque novamente no caminho correto na discussão do futuro de São Paulo e do Brasil", disse Carlos Gilberto Carlotti Júnior, reitor da universidade de direito da USP.

Até a manhã de hoje a carta reunia pela democracia reunia mais de 960 mil assinaturas. Entre os signatários do documento também estão banqueiros, sindicalistas, e profissionais liberais.

Levantamento feito pelos organizadores apontam assinaturas de mais de 9 mil desempregados, mais de 4 mil motoristas assinaram o manifesto. Há também entre os subscritos 129.965 professores, 20.418 empresários,  8.281 policiais e 1.894 militares, 871 pastores, 467 padres e 207 empregados domésticos – demonstrando que o movimento está longe de ser elitista ou alinhado à esquerda.

A autenticidade das autodeclarações tem sido conferida com dados disponibilizados pela Receita Federal. O mecanismo evita que fraudadores tumultuem a lista de signatários. Quem quiser assiná-la virtualmente pode fazer através deste link, criado pela Faculdade de Direito.

 

Da Redação (com informações do UOL)

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