GERAL

Gastos em viagens da primeira dama do Estado na entrega de cestas básicas poderiam sanar a fome de mais gente

Vejo só que ato de nobreza praticado pela primeira dama do estado de Mato Grosso, Virgínia Mendes; ela veio pessoalmente, e claro, acompanhada de uma considerável comitiva, entregar pouco mais de mil cestas básicas à URAMB – União Rondonopolitana de Associação de Moradores de Bairros.

Essas cestas fazem parte do programa 'Ser Família ', idealizado pela própria Virgínia Mendes e que deve se estender aos 141 municípios do Estado de Mato Grosso.

A finalidade do programa é amparar famílias em situação miserável e de vulnerabilidade, principalmente neste período pandêmico.

Não podemos negar que a proposta de auxílio é louvável, porém, a dúvida fica por conta do altíssimo custo no ato da entrega das cestas pelas cidades de estado.

Isso porque a primeira dama faz questão de cumprir uma agenda de entrega pessoal dessas cestas, e tudo isso envolve muito dinheiro.

Vamos usar Rondonópolis como exemplo: uma viagem aérea oficial de Cuiabá à Rondonópolis não sai por menos de R$ 5 mil, isso sem contar o tempo que a aeronave permanece em solo firme, aguardando que Virgínia Mendes e toda sua comitiva participem do evento e retornem para o aeroporto.

Não devemos esquecer que existem cidades mais distantes da capital, e que estão sendo pontos estratégicos dessa ação totalmente política. Nesses casos, a viagem aérea é bem mais cara.

Além de pagar o voo, o Palácio Paiaguás, através da Secretaria de Assistência Social, também tem que desembolsar uma quantia considerável com todo o aparato montado para garantir a segurança de Virgínia Mendes e sua numerosa equipe.

Estamos falando de uma estrutura típica de campanha eleitoral num período em que pessoas estão morrendo por falta de leitos de UTI e de vacinas.

Sem falar é claro, na falta de preocupação, também por parte da primeira dama, em provocar aglomerações. Sim, porque cada 'palanque' montado para a entrega das cestas reúne dezenas, e em alguns casos, centenas de pessoas.

O programa de Virgínia Mendes já entregou 330 mil cestas básicas e a proposta, segundo anunciado aqui em Rondonópolis, é para conseguir mais 530 mil cestas.

Colocando na ponta do lápis todo dinheiro gasto para bancar essas ações pré-eleitoreiras, chegamos a um resultado óbvio de que, muito mais cestas poderiam ser adquiridas pelo governo, e aí sim, cumprir de fato com o papel social.

As 1244 cestas entregues em Rondonópolis serão distribuídas entre 75 associações de moradores de bairros. Numa divisão igualitária seriam 16.58 cestas por associação. A gente sabe que a necessidade das famílias é muito maior.

Se tivesse sido economizado o dinheiro gasto com a viagem até aqui, o governo poderia ter comprado 25% a mais de cestas.

Da Redação 

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo