PM apresenta estatísticas do período entre janeiro e setembro de 2009

A Polícia Militar de Mato Grosso aumentou consideravelmente o nível de atuação no combate às mais diversas ocorrências criminais, conforme demonstram as estatísticas formuladas pela Assessoria de Planejamento Operacional, Estatística e Gestão (Apoeg) referentes ao período de janeiro a setembro de 2009. Para se ter uma ideia o número total de ocorrências registradas passou de 81.600 durante todo 2008 para 82.697 somente entre janeiro e setembro de 2009, um aumento real de 1,5%, e ainda faltam 3 meses para o ano acabar. Seguindo a linha de raciocínio, as ocorrências de pessoas autuadas em flagrante aumentaram 36%, de 6.530 em 2008 para 8.891 entre janeiro e setembro de 2009.
Também aumentou e muito o número de recuperações de veículos roubados, de 1.067 durante todo o ano de 2008 para 1.446 somente de janeiro a setembro de 2009, perfazendo um aumento de 36%.
Dentro dessas ocorrências, a PM fez 95% mais abordagens nos primeiros nove meses deste ano do que em todo o ano passado, aumentando de 589.054 abordagens a pessoas em 2008 para 1.148.566 até o mês de setembro de 2009. Números que evidenciam o quanto aumentou o contingente de pessoas que se dispõem a cometer crimes. Ideia reforçada pelo número de pessoas presas por mandado este ano (845) se compararmos com o número final de 2008 (699), num aumento percentual de 21%.
Outros números que demonstram isso são as apreensões de armas: as brancas (facas, estiletes e outros instrumentos pontiagudos) tiveram um aumento de 9% no número de apreensões, saltando de 1.128 durante todo o ano passado para 1.230 somente entre janeiro e setembro de 2009. Algo semelhante ocorreu com as armas de fogo, cujas apreensões aumentaram 6%, saindo de 1.336 nos doze meses de 2008 para 1.418 somente entre o primeiro e o nono mês de 2009.
Mas a maior evidência de o quanto a Polícia Militar de Mato Grosso tem conseguido dar uma resposta rápida ao crime vem à tona ao analisar-se o aumento percentual do número de pessoas presas em flagrante pela Corporação: Em números totais, um salto de 8.084 para 10.895 pessoas presas em pleno ato criminoso nos nove primeiros meses de 2009 do que em todo o ano de 2008. Um aumento percentual de 35%.
E maior número de abordagens não se traduz em truculência, pois o aumento de conduções na comparação entre 2008 e 2009 não excedeu o 1%, subindo de 41.866 em 2008 para 42.143 até setembro, de pessoas que tiveram que se explicar na delegacia, isso prova o quanto o policial militar está ainda mais preparado a resolver conflitos com o cidadão de bem quando este é abordado. Dessas conduções, a maioria maciça é de homens (29.226 em 2008 e 29.044 até setembro de 2009) do que de mulheres (4.187 em 2008 e 4.111 em 2009), sendo inclusive, um dos poucos índices com queda, no caso, -1,75%.
Do total de conduzidos, 34.955 eram adultos em 2008; número que teve um aumento de 4% em 2009, chegando a 36.457 até setembro. E as mulheres são mais bem comportadas no que se refere à lei em todas as idades, pois do total de menores conduzidos, número que também sofreu queda de um ano para o outro, de 18% (caindo de 6.912 em 2008 para 5.686 em 2009), elas respondiam por somente 932 casos em 2008 e 818 até setembro de 2009, uma queda de 12% no número de moças que acabam por ser levadas para averiguação em delegacias. Já o número de menores do sexo masculino que necessitaram de checagem em delegacias é quase seis vezes maior, apesar de também ter sofrido queda de um ano para o outro. Foram 5.980 em 2008 e 4.868 em 2009, variação de 12% menos.
“Apesar de comemorarmos a eficiência da Corporação nas respostas e exigências de nosso dever de servir e proteger a população, alguns índices nos preocupam, pois deixam claro o quanto aumentou o número de pessoas se envolvendo em crimes. Infelizmente, é o tipo de acontecimento contra o qual pouco podemos fazer, além de nos manter vigilantes e prontos para manter o bom trabalho de nossas tropas”, disse o comandante-geral.
Ele lembrou ainda que os diversos setores da PM fazem o que podem, “mas sabemos que esse é um problema de toda a sociedade, impossível de ser resolvido somente pela força de repressão policial. É algo passível de estudo, complexo e amplo e que envolve desde fatores sociais como a desagregação familiar e a dissolução de valores como hombridade, honra e humanidade, até socioeconômicos, como a má distribuição de renda”.
E os horários onde crimes contra o patrimônio mais ocorrem é entre a meia-noite e às 6h da manhã (sendo quase 25% em 2008 e próximo dos 38% em 2009) das ocorrências realizadas nesse horário. Já os roubos contra pessoas físicas acontecem em sua maioria entre o meio-dia e às 18 horas (32% em 2009 contra 35% em 2008), horário também propício para a maioria dos furtos (29% em 2009 contra 37% em 2008).
O especialista em Estudos de Violência, sociólogo e professor doutor da Universidade Federal de Mato Grosso, Naldson Ramos analisa a questão sob diversos ângulos, mas entende que quatro fatores principais podem ter influenciado nos indicadores da PM, apesar de lembrar que não há “resposta pronta e acabada para um fenômeno que envolve múltiplas dimensões da vida social, como é o caso da criminalidade e seus índices”. A sociedade mato-grossense, lembra Ramos, assim como a brasileira, é carregada de conflitos, como as questões da terra, da mulher, do menor, da vida doméstica, o trânsito “e as relações subjetivas”.
O segundo aspecto tem a ver com as pessoas estarem registrando mais as violências a que estão submetidas. "Talvez antes eles não registrassem por acharem que não iriam dar em nada, isso pode denotar que as pessoas estão procurando mais amparo da polícia ou do Judiciário, o que reflete diretamente nas estatísticas da violência".
O terceiro aspecto pode ser relacionado diretamente à efetividade da Polícia Militar na intensificação do trabalho de inteligência e investigação, bem como o aumento de apreensões e do policiamento preventivo. "A questão das armas, inclusive, influencia nisso, a ostensividade da polícia pode estar aumentando seu grau de eficiência".
No quarto aspecto, o estudioso concorda com a percepção do Comandante-Geral Campos Filho de que entre os vários fatores, é impossível ignorar aquele relacionado às questões sociais. "O aumento da circulação de drogas, dos roubos e furtos de veículos, da violência familiar podem sim estar influenciando no aumento dos registros da violência, um desses fatores pode influenciar mais do que outro, mas isso só poderíamos determinar através de uma pesquisa mais aprofundada. Entretanto, sabemos que os indicadores sociais ainda não são muito bons no Brasil e, consequentemente, em Mato Grosso", encerrou o doutor
Fonte:Ass.Polícia Militar