EDITORIAL ED: 932: O trem da história

Nada mais cretino e mais cretinizante do que a paixão política. É a única paixão sem grandeza, a única que é capaz de imbecilizar o homem.” A frase é do jornalista e dramaturgo Nélson Rodrigues e retrata, de forma muito clara, o que a chamada paixão política pode levar o cidadão a fazer.
Em tempos de polarização entre direita e esquerda, está mais do que claro que, enquanto essa guerra ocorrer, quem perde não é a classe política, e sim o cidadão comum, que entra na disputa e acaba se apaixonando.
Pois todos sabem que a única ideologia verdadeira de um político não é a bandeira da esquerda ou da direita, e sim o voto. Um político, independentemente de ideologia, toma suas decisões pautado no voto.
Se ele vê ou percebe que este ou aquele posicionamento não lhe dá votos, a saída que acaba tendo é recuar. Esse recuo, na maioria das vezes, não ocorre em benefício da população, e sim pelos votos que a ação pode gerar.
Aliado a isso, é importante dizer que a polarização em níveis altos, em vez de melhorar a vida das pessoas, pode, sim, piorá-la.
Às vezes, ao chegar ao poder, um político deixa de tomar uma decisão importante para o povo, pensando nos votos que essa decisão pode representar e optando pelo caminho mais fácil. Esse tipo de situação aumenta — e muito — em momentos de polarização. Quanto mais polarizado for o processo, mais política e menos técnica será a decisão.
Dessa forma, para muitos, é preferível atender à sua claque ideológica, deixando de lado um pensamento que, mesmo contrário ao seu grupo político, poderia representar uma vida melhor para a maioria.
O mais triste de tudo isso é que esse pensamento tacanho, retrógrado e muito atrasado vale tanto para políticos de direita quanto de esquerda. Ou seja, é na polarização que esse erro aparece de forma mais clara.
Agindo assim, pensando em agradar apenas quem pensa igual, é quando os grandes erros e injustiças são cometidos. O problema é que, depois, fica muito — mas muito — tarde para corrigir.
Portanto, é preciso saber agir. Quem está no poder precisa ter cuidado para não se perder ou ser atropelado pelo trem da história. A dica está dada.
“Nada mais cretino e mais cretinizante do que a paixão política. É a única paixão sem grandeza, a única que é capaz de imbecilizar o homem.” A frase é do jornalista e dramaturgo Nélson Rodrigues e retrata, de forma muito clara, a que a chamada paixão política pode levar o cidadão. Em tempos de polarização entre direita e esquerda, está mais do que claro que, enquanto essa guerra ocorrer, quem perde não é a classe política, e sim o cidadão comum, que entra na disputa e acaba se apaixonando”.
Fonte: Da redação