ECONOMIA

Dilma critica desvalorização de moedas, mas diz que não vai alterar câmbio

Em sua primeira entrevista como presidente eleita, Dilma Rousseff (PT) criticou na noite desta segunda-feira (1º) a desvalorização de moedas e a guerra cambial entre países e prometeu manter a política econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva. A China é acusada de manter sua moeda artificialmente desvalorizada para conseguir vantagem em suas exportações. Assim, o sapato chinês por exemplo, chega ao Brasil custando menos que o produto nacional, prejudicando a índustria local.

A entrevista foi transmitida ao vivo pela TV Record. Dilma disse que, em uma “conjuntura ainda de crise, é prudente que a gente mantenha a meta de inflação nos padrões vigentes”. E completou: “Também manterei controle no gasto público, porque é não gastar aquilo que não pode gastar, mas manterei os gastos sociais e os investimentos. Política criteriosa na taxa de juros. Não vamos deixar de acompanhar com rigor esse processo de política cambial”.

“Não é possível que ocorra aquele tipo de política que ocorreu na época de 30 de desvalorização competitiva”, afirmou Dilma. “Acho que um dos fatores que soluciona isso é a gente ter, na relação multilateral, a capacidade de instituições fortes. Não fazer aquela política pragmática que favorece só o seu próprio país", disse.

Questionada se irá alterar a política econômica, a presidente eleita afirmou. “Te garanto que uma coisa é certa, eu manterei todos os princípios que regeram o nosso governo no período Lula, eu manterei no meu governo, que fundam estabilidade macroeconômica no Brasil. Metas inflacionárias da mesma forma do que o governo Lula.”

Dilma disse que um dos primeiros anúncios de seu futuro governo será sobre o Banco Central e o Ministério da Fazenda. “Eu acredito que esse será um dos anúncios que terei mais cuidado ao fazer.”

Antes, Dilma disse que vê como um desafio ser a primeira presidente mulher do Brasil e comentou a despedida de Lula, em janeiro. “Vai ser um momento alegre e um momento triste, porque mistura dois sentimentos fortes. Alegre por assumir a Presidência e muito triste porque é a despedida do presidente Lula, com quem eu tive um desafio imenso e muitas realizações. Para mim vai ser um momento de muita emoção.”

Sobre sua relação com a imprensa, a presidente eleita disse que jamais irá coibir a liberdade dos meios de comunicação. “Eu me entristeci em alguns momentos, mas acho que não cabe, em relação à imprensa, da parte de quem quer que seja, qualquer nível de crítica tentando coibir. Como já disse, prefiro as vozes críticas do que o silêncio das ditaduras. Me dou o direito de me defender, mas eu não tenho nenhuma complacência com processo de inibição da mídia. O controle remoto na mão do telespectador é o melhor controle em relação à mídia”, afirmou.

Por fim, Dilma disse que irá “dar muita importância a uma representação feminina” em seu governo e, questionada qual seria a marca de sua administração, afirmou que será a erradicação da miséria. “Eu tenho [uma marca]. Governo, sociedade, empresários, trabalhadores, todos têm que perseguir uma meta de erradicar a miséria. Mas tenho também duas metas complementares, de melhorar substancialmente a saúde no Brasil. Temos um avanço a conquistar nessa área da saúde. E na área da segurança pública”, disse.

Dilma prometeu conclamar governadores a discutir os dois assuntos assim que assumir a Presidência da República.

Fonte:Uol notícias

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