AGROPECUÁRIA

Crise na pecuária em Mato Grosso é discutida com ministro

O presidente da Federação da Agricultura de Mato Grosso (Famato), Rui Prado, disse ontem que a situação da pecuária de corte no Estado é "gravíssima". Por causa da crise internacional, muitos frigoríficos de Mato Grosso deixaram de abater os animais e não pagaram, segundo ele, pelos lotes que haviam sido entregues pelos pecuaristas. Ele disse que a paralisação já comprometeu 40% da capacidade instalada no Estado. Esta é considerada pelo segmento industrial a pior crise dos últimos dez anos.
As estimativas da Federação indicam corte de 12 mil postos de trabalho no Estado. Este número considera a situação dos funcionários do Frigorífico Independência, cujos abatedouros tiveram suas atividades paralisadas.
"Há uma crise de confiança muito grande. O produtor tem medo de entregar seus animais porque teme levar calote", afirmou.

Como já antecipou o Diário, a crise no segmento teve início ainda no final do primeiro semestre do ano passado, quando foram registradas as primeiras demissões da indústria frigorífica estadual. O segmento encerrou o primeiro bimestre de 2009 com a crise que estrangula a cadeia produtiva da carne e que fechou 14 dos 37 frigoríficos mato-grossenses que exportam e compartilham o mercado nacional.
A desativação dessas plantas implica em uma redução diária de 11,2 mil dos 28 mil abates. Em cifras, representa menos R$ 12 milhões diariamente com as vendas de bois, além de outros valores expressivos com transporte, impostos e empregos. “A situação complicou bastante”, lamenta o diretor da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Jorge Pires.
“Sofremos toda sorte de adversidades tanto aqui dentro [mercado interno] quanto lá fora. O resultado disso tudo não poderia ser outro: estamos vivendo a pior crise dos últimos 10 anos, com prejuízos econômicos e sociais para os frigoríficos, funcionários e toda a sociedade”, resume o presidente do Sindicato das Indústrias Frigoríficas do Estado (Sindifrigo), Luiz Antônio Freitas Martins.
Segundo ele, a indústria frigorífica – que chegou a gerar 24 mil empregos diretos no ano passado – conta atualmente com apenas 16 mil funcionários ativos, um corte de 33,33%.
Além dos fatores macroeconômicos, a indústria frigorífica estadual contabilizou valorização acima de 60% – passou de R$ 56, em 2007, para R$ 90, em julho de 2008. Em relação a 2006, quando a arroba estava cotada a R$ 40, a alta foi de 125%.
BRASÍLIA – O deputado federal Homero Pereira (PR/MT) levou o problema para ao Congresso Nacional e pediu intervenção do governo federal na tentativa de evitar um agravamento da crise no Estado e inviabilizar a atividade local.
Em pronunciamento, Homero afirmou que as unidades desativadas em Mato Grosso comprometem a livre concorrência no setor, situação danosa aos pecuaristas do Estado. “Sem concorrência, o mercado se fecha e apenas um grupo dita normas e preços, o que já está provocando sérios prejuízos econômicos aos produtores. Além disso, há o comprometimento da capacidade instalada para atender à demanda”, denunciou o parlamentar na tribuna da Câmara.
Ontem, o deputado se reuniu como ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, junto com o presidente Federação da Agricultura de Mato Grosso (Famato), Rui Prado. e com senador Jayme Campos (DEM/MT). Homero solicitou que o governo federal conceda aos frigoríficos tratamento parecido com o dispensado às empresas automobilísticas, para as quais reduziu impostos por um tempo determinado. Outra solução, conforme o parlamentar, que poderá dar fôlego aos problemas financeiros das indústrias da carne é o governo efetuar o pagamento dos créditos tributários que as empresas têm a receber.
Stephanes informou que está acompanhando a situação e que já se reuniu com empresários do segmento e eles prometeram entregar um panorama do problema em 30 dias
Famato

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo