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Surgimento de lixões está ligado à falta de recursos e educação. Rondonópolis na contramão

Uma pesquisa desenvolvida pelo Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana (Selurb) mostra que o surgimento de lixões – depósitos ilegais de lixo em que não há controle dos materiais, cuidados com o solo e o meio ambiente – está ligado aos municípios com maior dependência de transferências de recursos intergovernamentais, densidade populacional reduzida, menor valor per capita de investimento em limpeza urbana, e com baixos níveis educacionais.
Cidades com lixões têm, em média, 90,8% de dependência financeira de repasses dos governos estaduais e federais, enquanto as que destinam os resíduos corretamente para aterros sanitários apresentam dependência menor, 79,1%, em média.
A pesquisa mensurou ainda a relação entre o investimento em educação infantil e os depósitos ilegais. "A cada 10% de aumento no número de crianças matriculadas na escola, diminui em 3,6% a probabilidade de surgir um lixão", disse o economista responsável pela pesquisa, Jonas Okawara.
O levantamento mostra que cidades com maior volume de recursos do orçamento municipal voltado à limpeza urbana tendem a criar menos depósitos irregulares. Municípios com lixão gastam cerca de R$ 76 mil por mês com esses serviços. Já os que destinam os resíduos corretamente investem, em média, R$ 534 mil a cada mês. "Evidenciou-se que além da questão educacional, para eliminarmos os lixões no Brasil, as cidades necessitam de recursos orçamentários e financeiros para sustentar o custeio dos serviços. Sem recursos próprios e vinculados, as cidades não conseguirão acabar com a destinação inadequada", disse Okawara.
O Estado de Mato Grosso, encontra-se em profunda crise econômica, com dificuldades de cumprir compromissos com fornecedores e funcionários. As questões ambientais, de saneamento outras não são prioridades de momento, segundo o governador em recente entrevista a imprensa toda a prioridade é com o pagamento do funcionalismo que está em atraso e com os fornecedores.
Já Rondonópolis avançou e saiu na frente inaugurando o 1° Aterro Sanitário do estado em 1º. de Setembro de 2017, por tanto já há um ano e meio. O espaço com 55 hectares recebe diariamente 170 toneladas de rejeitos (materiais não reutilizáveis) e tem previsão de vida útil de 20 anos. A partir de então o lixão que era utilizado pelo município ficou inativo.
O Aterro Sanitário é administrado pelo Serviço de Gerenciamento de Resíduos (Seger), empresa que ganhou a licitação do Serviço de Saneamento Ambiental de Rondonópolis (Sanear) para gerenciar o local. No aterro, também funciona a cooperativa de materiais reciclados, no qual, cerca de 30 trabalhadores passaram por capacitação no Sanear e funciona separando as duas mil toneladas de reciclados recolhidos em 30 bairros de Rondonópolis diariamente.
A construção do aterro faz parte da Política Nacional de Resíduos Sólidos, e para o prefeito Zé Carlos do Pátio, a concretização dessa obra faz parte do processo de avanço de Rondonópolis, que também está chegando a 100% da cobertura de água e esgoto. De acordo com a diretora geral do Sanear, Terezinha Souza, a inauguração do aterro é um marco, pois é o primeiro espaço totalmente dentro das normas técnicas de funcionamento em Mato Grosso.

Por Denis Maris
Da redação

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