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Assassinatos no Brasil supera o de mortos por terrorismo em 2017

Nos cinco primeiros meses de 2017, 3.349 pessoas morreram em todos os atentados terroristas em todo o mundo. O Brasil alcança este número de mortos em assassinatos em apenas três semanas. É o que apontou no último dia 5, o técnico de planejamento e pesquisa, Daniel Cerqueira, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
"É uma verdadeira crise civilizatória que a gente vê no Brasil", afirmou o pesquisador durante o lançamento do Atlas da violência. O levantamento apontou que a taxa de homicídios no Brasil aumentou 10% entre 2005 e 2015.
Estendendo os dados desde 1995, é possível ver que morreram no país, de acordo com dados oficiais, 1,033 milhão de pessoas. O número é quase igual ao de vietnamitas mortos na Guerra do Vietnã: 1,1 milhão entre 1955 e 1975.
"É para chamar a atenção do desastre que vivemos, e como isso precisa se tornar uma prioridade para o Estado brasileiro", alertou Samira Bueno, diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Publica (FBSP), que participou da pesquisa do Atlas.
Em 2015, foram 59.089 pessoas mortas por homicídio no Brasil. São 161 pessoas por dia, o equivalente a um avião Boeing 747.
Assassinatos de jovens
A taxa de homicídio de jovens no Brasil teve um crescimento de 17,2% entre 2005 e 2015, segundo o Atlas da Violência, pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgada. O número é maior que o crescimento médio no país no mesmo período, de 10,6%.
A tendência de aumento da violência contra jovens de 18 a 29 anos é antiga no Brasil: na década de 1980, a taxa de homicídios nessa faixa etária aumentou 89,9%. Nos anos 1990, o aumento foi de 20,3%. Já de 2000 a 2010, a taxa teve um crescimento bem menor, de 2,5%. A desaceleração do aumento da violência contra jovens, porém, não se manteve: ao comparar 2005 com 2015, o crescimento da taxa de homicídios foi de 17,2%.
Em 2005, a taxa de homicídios por 100 mil jovens foi de 51,9, subindo para 60,9 em 2015. Ao longo desse período, mais de 318 mil jovens foram assassinados, segundo o estudo. A taxa atingiu um pico em 2014, quando foi de 62,9, o que foi seguido de uma redução de 3,3% de 2014 para 2015.
Em 2015, o estado com maior taxa de homicídios de jovens foi Alagoas, com 118,9 mortes por 100 mil jovens, seguido de Sergipe, com 118,2 mortes por 100 mil e Rio Grande do Norte, com 104,3 mortes por 100 mil. Já o estado com a menor taxa de homicídios de jovens em 2015 foi São Paulo, com 21,9 mortes por 100 mil, seguido de Santa Catarina, com 25,4 mortes por 100 mil e Mato Grosso do Sul, com 39,2 mortes por 100 mil.

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