1° de julho – 15 anos do Plano Real

1° de julho – 15 anos do Plano Real
O Brasil vive, aos nossos dias uma confortável estabilidade monetária e econômica, tal que, não obstante alguns ajustes da economia diante da crise que se instalou no ano passado e que se propagou desde os Estados Unidos para todo o mundo, os seus reflexos, em linhas gerais, não afetaram a situação sócio-econômica nacional.
A estabilidade nacional não deve ser creditada somente ao governo Lula como querem alguns, mas, fundamentalmente, ao sistema monetário criado com Plano Real.
O tempo passa e as lembranças do passado são obscurecidas pela poeira do tempo. Assim, nesse 1° de julho, em que ocorre a 15° aniversário do Plano real, é oportuno retrocedermos na história, reportando-nos a 1994 quando surgiu um novo padrão monetário nacional e que veio para ficar.
Uma curiosidade que, com certeza, passa despercebida aos nossos leitores é que a moeda brasileira, entre julho de 1965 e junho de 1994 acumulou uma inflação de nada mais nada menos do que 1.1 quatrilhão por cento, ou um IGPI-DI de 1.142.332.741.811.850%. Não é piada: inflação de 16 dígitos em tres décadas. Na verdade, à época, a população não se dava conta dessa realidade porque foram realizadas no período quatro reformas monetárias, em cada uma delas simplesmente deletando-se tres dígitos da nossa moeda. Um descarte de nada menos do que doze dígitos no período, Caso único no mundo.
O Plano Real foi lançado no Governo Itamar Franco que tinha Fernando Henrique Cardoso como Ministro da Fazenda. FHC reuniu em seu ministério uma equipe de economistas criteriosamente escolhidos e cuja meta primordial era elaborar um plano que, realmente, não só controlasse, mas, efetivamente, varresse do cenário nacional e fantasma da inflação. A equipe de FHC se debruçou sobre planos econômicos de outros países, principalmente da Argentina e do México e, em 27 de fevereiro de 1994, pela Medida Provisória 434 foi instituído o Plano Real
O plano objetivou a criação de, praticamente, duas moedas paralelas: a URV (unidade real de valor) com a paridade de Us$1 (um dólar norteamericano) que se mantinha estável e o Cruzeiro Real que se desvalorizava diariamente em relação à URV e ao dólar. Estabeleceu-se prazo de vigência, após o qual a URV assumiu a condição de única referência monetária para os preços e valores contratuais. E assim o Cruzeiro Real foi perdendo o seu valor de referencia e de característica monetária.
Diferentemente dos planos anteriores, o Plano Real conseguiu acabar com a indexação da economia sem congelamentos de preços. Naturalmente, foram feitos alguns poucos ajustes e estava implantado um novo padrão monetário: o REAL, que assumiu o seu papel no cenário nacional em 01 de julho de 1994.
Combatido, principalmente pelo PT e pelo seu então candidato à presidência da república, Luiz Inácio Lula da Silva, foi tido como um “plano essencialmente eleitoreiro para alavancar a candidatura FHC”. Não obstante as previsões pessimistas de Lula em sua campanha eleitoral, o REAL manteve a sua estabilidade. Não se pode negar que o sucesso do Plano Real, de imediato sentido pela população, teve seus reflexos favoráveis na vitória de Fernando Henrique e dos partidos que o apoiavam.
A verdade inconteste é que o Plano Real foi um sucesso e garantiu ao país a estabilidade econômica e social de que hoje desfruta a sociedade brasileira.
Com as voltas que o mundo dá, oito anos depois Lula assumiu as rédeas do país, mantendo a mesma estrutura econômica deixada por Fernando Henrique, fazendo apenas os ajustes impostos pela própria conjuntura tanto nacional quanto internacional e que vem mantendo nesses oito anos em que vem administrando o país.
J.V.Rodrigues