Cerca de 12% da população brasileira sofre de azia pelo menos uma vez por semana, aponta especialista

Saúde

Redação 205 acessos

Doutor em medicina (gastroenterologia) Luiz João Abrahão Júnior

Doutor em medicina (gastroenterologia) Luiz João Abrahão Júnior


Mais de 20 milhões de brasileiros sofrem com a azia, sintoma clássico da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). As pesquisas também apon
Gastroenterologista Elaine Moreira

Médica Sthephani Fraga
rofessor-adjunto do Departamento de Clínica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o doutor em medicina (gastroenterologia) Luiz João Abrahão Júnior, durante a sexta edição do “Gastrinho” – um programa voltado para a atualização médica em cirurgia digestiva, realizado na última sexta (20) e sábado (21), em Cuiabá.

Conforme o especialista, o aumento no quadro de pessoas afetadas pelo refluxo – tanto no Brasil quanto no mundo – é alarmante e requer atenção. “Esta é uma doença em franca ascensão e seu impacto na qualidade de vida das pessoas é brutal. Alguns pacientes chegam a ter medo de comer e não dormem bem. A tosse crônica, por exemplo, se torna – por vezes – um problema social e afeta o trabalho“, destacou.

O especialista disse que a DRGE – que é causada pelo retorno do conteúdo intragástrico do estômago para o esôfago – já atinge cerca de 20% da população mundial. “Um dos fatores a que atribuímos este quadro é o ganho de peso da população”, alertou. Luiz João, que também ministrou a miniconferência “Esofagite Eosinofílica“, uma doença crônica imunomediada, destacou a importância da dieta para um tratamento eficaz.



TRANSPLANTE DE FEZES – Também sob o viés da gastroenterologia clínica (área que atua na análise, prevenção e tratamento das doenças e transtornos ocorridos no sistema digestório) outro tema ganhou destaque no evento. Trata-se do transplante de fezes, que já é uma realidade e é usado para tratar doenças de intestino – como, por exemplo, o tratamento de infecção pela bactéria Clostridium difficile, responsável por provocar fortes diarreias, dores de barriga e, até mesmo, desidratação severa.

De acordo com a médica Sthephani Fraga, a ideia é levar bactérias benéficas do intestino de um indivíduo saudável para o outro que não está. No entanto, o tratamento terapêutico ainda possui alguns desafios.

“Há muita resistência por parte dos pacientes em relação ao tratamento e um dos desafios dos profissionais está em convencê-los. O transplante de microbiota fecal (FMT, em inglês) é uma modalidade de tratamento emergente e com índices de cura atingindo cerca de 70-80% para Clostridium difficile. Para isso, os doadores – que costumam ser familiares ou voluntários – passam por rigorosos testes e questionários. Enquanto que os receptores recebem uma preparação intestinal”, explicou.

Na prática, o tratamento – que é ministrado, por vezes, via oral por meio de cápsulas – é resultado das seguintes etapas. Após a doação, o conteúdo é misturado em um diluente – que pode ser água potável, leite ou soro fisiológico – em um liquidificador ou manualmente. Cada 300 ml de diluente requer de 50-60 gramas de fezes. Para deixar a mistura bem líquida, pode-se filtrá-la ou centrifugá-la. Posteriormente, o conteúdo é encapsulado para uso, sendo recomendado ainda fresco.

Tal clareza da importância que o microbioma do intestino, também chamado de “flora intestinal”, para o ser humano também foi reforçado pela representante da FGB, a gastroenterologista Elaine Moreira, em sua palestra sobre Disbiose Intestinal – termo científico que define o desequilíbrio entre as bactérias do intestino. “Podemos dizer que somos mais microbianos do que humanos. O intestino é como o nosso segundo cérebro”, ponderou.

GASTRINHO – A sexta edição do Gastrinho reuniu cerca de 43 especialistas em 30 palestras e diversas atividades – entre elas, a divulgação de trabalhos acadêmicos, uma série de cirurgias de correção de hérnia inguinal para o aprimoramento da técnica de Liechtenstein por médicos mato-grossenses, bem como um treinamento voltado para residentes, com foco teórico, em videocirurgia.

Com miniconferência e palestras de alto nível sobre temas atuais, o evento estimulou a pesquisa e também contou com a divulgação de trabalhos acadêmicos. Além de “Gastroenterologia Clínica”, entraram em cena durante o evento pautas como “Pré e Pós-Operatório – Projeto Acerto” e “Propedêutica Laboratório e Imagem“, temáticas envolvendo aspectos relativos às cirurgias de “Fígado“ e “Vias Biliares”, bem como “Cirurgia Bariátrica”, “Hérnia Coloproctologia” e “Urgência e Emergência”.

Tendo como objetivo desmistificar a área de cirurgia do aparelho digestivo e estimular a atualização médica sobre o tema no Estado, o Gastrinho foi promovido pelo Hospital Santa Rosa – por meio do Programa de Residência Médica Centro de Estudos Dr. Cervantes Caporossi – em conjunto com a Liga de Cirurgia do Aparelho Digestivo (LCAD) da Unic, o Colégio Brasileiro de Cirurgiões – Secção Mato Grosso (CBC-MT) e a Federação Brasileira de Gastroenterologia (FGB).







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