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Câncer associado a implantes de mama é raro e não deve causar pânico, alerta médico mato-grossense

Redação 112 acessos



U tipo raro de câncer, associado em 2011 a implantes de mama pela FDA, agência que regula o setor de alimentos e medicamentos nos Estados Unidos, continua a tirar o sono de muitas mulheres ao redor do mundo. No Brasil, não é diferente. A falta de informação relacionada ao elevado número de procedimentos realizados no país ainda causa alarde.

Afinal, de acordo com o último relatório da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS, em inglês), divulgado em 2016, o Brasil figura em segundo lugar no ranking mundial de cirurgia plástica, atrás dos Estados Unidos. Isto, com aproximadamente 240 mil cirurgias realizadas com objetivo de aumentar, suspender, corrigir a flacidez e/ou diminuir os seios.

No entanto, a doença – considerada um linfoma anaplásico de células grandes associado ao implante (LACG-AIM), tipo não-Hodgkin – é um câncer misterioso que afeta uma proporção ínfima dos mais de 10 milhões de mulheres no mundo que já passaram pelo procedimento.

Conforme explica o membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o cirurgião plástico Jubert Sanches, não há motivos para pânico. Pelo contrário, é preciso aumentar o nível de conscientização sobre o tema – seja entre as mulheres que possuem próteses ou que desejam realizar a cirurgia tanto quanto entre a população em geral.

“Muitas pacientes chegam no consultório e perguntam sobre a doença – que, por vezes, é confundida com o câncer de mama, algo distinto. Estatisticamente, o linfoma anaplásico de células grandes associado ao implante é insignificante. Estima-se que possa surgir um caso em cada 500 mil mulheres com próteses – o que equivale a 0,002% de chance. Logo, não há razão para que não se utilize a prótese ou opte pela remoção“, ressalta.

SEM PÂNICO – Segundo Jubert, nos casos relacionados com o implante, a doença se desenvolve nos seios, geralmente no tecido cicatrizado que se forma ao redor da prótese. Para confirmar o diagnóstico o médico drena o fluído do seio e testa-o para células neoplásicas (câncer), que indica – ou não – a presença do linfoma. Na maioria dos casos, ela tem tratamento e um bom prognóstico – com índices de sucesso ultrapassando 70%.

“Normalmente, a doença não é letal e o tratamento é só local – com a remoção do implante e da cápsula inteira de tecido ao redor dele. Até porque, o desenvolvimento desse linfoma geralmente está relacionado à contratura capsular – mais conhecida como ”rejeição”. Em certos casos, com diagnósticos tardios e metástase (quando a lesão migra para outros locais além de sua origem), a paciente poderá fazer quimioterapia e/ou radioterapia“, esclarece.

No Brasil, não há relato de caso da doença pelo NOTIVISA (Sistema de Notificação Compulsório para Eventos Adversos e Defeitos de Fabricação de Insumos Médicos da ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária). “A incidência ainda é tão insignificante que a própria FDA, nos Estados Unidos, não determina nem que o médico fale sobre isso com seus pacientes”, complementa Jubert.

PREVENÇÃO E ALERTA – Prevenir é seguir à risca as recomendações médicas para efeito de monitoração. Entre elas, está a realização de consultas periódicas. No entanto, muitas mulheres só procuram o médico após a manifestação de sintomas – como inchaço, dor e acúmulo de líquido ao redor da prótese. Em alguns casos, surgem caroços no seio ou na axila.

“Nós, profissionais, nos mantemos vigilantes. Mas, a maioria das mulheres que tem prótese não faz o segmento anual – orientado na alta para o controle da cirurgia. Muitas vezes, elas esquecem. Prótese é uma cirurgia que, uma vez que deu certo, a paciente não lembra que fez. O implante passa a ser parte do corpo dela. Aí, quando retornam, às vezes, já estão com contratura estabelecida“, alerta.

Vale ressaltar que o sistema da FDA é baseado em notificações voluntárias de médicos e pacientes. De acordo com a análise preliminar da agência, a doença parece estar mais relacionada com as próteses com textura. Dos 359 casos relatados até fevereiro deste ano, 231 incluíam informações sobre a superfície do implante – sendo 203 texturizados. O conteúdo parece não ter relação com a doença: 312 tinham esse dado, sendo que 186 eram de gel de silicone e 126 de solução salina.

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