Um dos fotógrafos mais antigos de Rondonópolis, trabalhou durante 27 anos na Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus.

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Sebastião Ribeiro da Cruz hoje com 91 anos de idade, e com uma lucidez de fazer inveja a qualquer jovem, nasceu na cidade de Alto Garças em 5 de novembro de 1926, mora em Rondonópolis há 53 anos. Casado com senhora Gerônima Amélia Ribeiro com quem teve 7 filhos todos rondonopolitanos: Lázaro, Zacarias, Abadia, Fernando, João Aparecido e Ademir, atualmente são 12 netos e 15 bisnetos. Sebastião é um exemplo de convívio social que através da religiosidade em quase três décadas, perpetuou com a sua câmera fotográfica os acontecimentos na Paróquia Sagrado Coração de Jesus entre os anos 70, 80 e início dos anos 90.
Jornal Folha Regional: O seu núcleo familiar começou em que região, os seus pais eram mato-grossenses?
Sebastião: Meus pais Lourenço Ribeiro da Cruz e Marcelina Conceição da Cruz eram baianos da cidade de Correntes, lá as oportunidades de trabalho eram muito escassas e a condição de sobrevivência era muito precária. Havia uma preocupação com a família que crescia a cada ano. Meus pais passaram então a pensar em outro lugar que oferecesse mais oportunidades e tivesse a possibilidade de progresso para todos. Contava meu pai que ele demorou algum tempo para decidir, foram arrumando as malas aos poucos e quando resolveu partir escolheu o Estado de Mato Grosso. Chegaram na cidade de Rondon no dia 15 de Fevereiro de 1965.
J.F.R: Com a família grande crescendo a cada ano, como o senhor Lourenço se estabilizou em Rondonópolis.
Sebastião: Nós somos em dez irmãos, sete homens e três mulheres: Miguel, José, Vital, Gesuino Experidião, Sebastião e João, as mulheres: Sebastiana, Idalina e Maria. Meu pai logo arranjou um serviço na lavoura, eu os meus irmãos no começo fomos ajudá-lo, mas depois de um tempo eu decidi trabalhar no ramo de fotografia, fui morar na Vila Birigui. Os meus irmãos cada um tomou um rumo diferente, e tem outras profissões ninguém seguiu o ramo do meu pai, saíram da zona rural.
J.F.R: O seu pai ao sair da zona rural mudou para a cidade e logo foi trabalhar com o Mal. Rondon, como foi esse momento para os seus familiares, como reagiram ao receber essa notícia?
Sebastião: Trabalhar com o Marechal Rondon era uma honra para qualquer pessoa, a família se sentiu feliz, cheguei a conhecê-lo pessoalmente, apesar de tê-lo encontrado em frente a Igreja Matriz rapidamente. Meu pai trabalhou com o Marechal Rondon em várias frentes de serviço, mas se fixou mesmo na região do Lourencinho. Os funcionários como ele tinham um contato mais intenso em função dos serviços que eram realizados, era um relacionamento de patrão e empregado. As pessoas naquele tempo eram muito tímidas, tinham um grande respeito pelos mais velhos, e em especial pelas autoridades. Marechal Rondon diante da sua função representava o brasileiro desbravador do futuro encaminhador do progresso do país. As conversas eram poucas sempre em torno das necessidades do momento no desenvolvimento de cada serviço.
J.F.R: Como surgiu o encaminhamento para ser o fotógrafo da igreja matriz?
Sebastião: Fui muito bem recebido primeiramente pelo Frei Érico, e posteriormente pelo padre Cláudio, eu tinha feito um curso rápido de fotografia com o tempo fui desenvolvendo e logo aprendi. Comprei a minha primeira máquina fotográfica, me lembro foi por encomenda em uma loja da cidade. Desta forma passei a trabalhar como fotógrafo da Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus, função esta que exerci durante 27 anos.
J.F.R: O senhor se lembra das primeiras fotos, dos casamentos, dos batizados quais as pessoas que o senhor fotografou nesse período?
Sebastião: O tempo vai passando e hoje com 91 anos de idade fica é difícil de lembrar, mas foram muitas pessoas que eu nem sei contar. Eu sei que muitos que passaram pelas lentes da minha máquina, certamente hoje são engenheiros, advogados, médicos, políticos, eu não me lembro dos nomes. Muitos foram fotografados na primeira comunhão, no batizado, no aniversário ou até mesmo no próprio casamento. Naquela época as pessoas solicitavam muito os meus serviços, e eu ia fotografar nas residenciais nos eventos quando era convidado.
J.F.R: Além da Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus, qual era o ponto mais movimentado da cidade no final da década de 60?
Sebastião: O ponto mais movimentado da cidade era a Praça dos Carreiros, lá havia uma grande concentração de carros de bois e carroças que faziam fretes para aqueles que moravam nos sítios e fazendas. As pessoas negociavam vários tipos de mercadoria, carnes, frutas, frango caipira, porco caipira, abóbora, banana e até mesmo o mel que era também trazido dos sítios da região. Essa era a vida da cidade, a Praça dos Carreiros era rodeada por um denso arvoredo o que deixava o clima fresco e saudável. Aquele tempo chovia muito, e até tinha hora certa para a chuva cair, hoje é diferente chove aqui não chove ali, e as vezes ela nos pega de surpresa, vivemos outros tempos.
J.F.R: Sebastião, abrimos o espaço para que você fale um pouco sobre a cidade de Rondonópolis, e faça as suas considerações finais.
Sebastião: É difícil encontrar um adjetivo para qualificar a cidade que amamos, é a melhor cidade do mundo, uma gente maravilhosa. As administrações públicas tem que melhorar, é importante para todos, a minha família e eu gostamos muito desta cidade, somos felizes aqui nesta terra de Rondon. No dia a dia todos podem ser melhores, eu quero agradecer a reportagem do Jornal Folha Regional por esta oportunidade. Que cada um de o melhor de si para um maior desenvolvimento desta cidade. Sou muito grato a todos os meus familiares irmãos, filhos, netos, aos amigos e a todos que vivem nesta terra.
J.F.R: O Jornal Folha Regional agradece a você e a todos os seus familiares pela receptividade e pela entrevista.


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