Cmara de Rondonpolis - 16/10/2017

José Oliveira Machado “De garimpeiro a ourives”

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José Oliveira Machado é natural da cidade de Uberlândia MG, filho de Joaquim Inácio de Oliveira e Maria Machado Oliveira, ambos tiveram8 filhos. Seus pais trabalhavam na lavoura na plantação de arroz e feijão, José viveuum curto período da infância na sua terra natal. Vamos conhecer um pouco mais da sua trajetória de vida.
Jornal Folha Regional; As famílias que vieram para Mato Grossonas décadas de 1940/1950 faziam geralmente,uma viagem muito sofrida, e ao chegar aqui não encontravam muito conforto. Como foi adaptação dos seus pais em solo mato-grossense?
José;Inicialmente estranhamos aqui o forte calor, chegamos em Mato Grosso mais precisamente na cidade de Itiquira, corria o ano de 1943. Viemos para trabalhar na fazenda do meu avô. Com muita força devontade,eu e os meus irmãos Antônio, Sebastião, Gumercindo, Gerônimo, Valdeci, Valtinae Valdemar conseguimos superar a dificuldades e fomos logo nos adaptando ao novo clima. Sempre acompanhados pelos nossos pais, que nos ajudaram a entender a importância da união, e do trabalho no seio familiar.
JFR; Nessas idas e vindas da sua família foi difícil frequentar a escola?
José;Em 1953 eu já estava com 15 anos, nós saímos de Alto Garçase mudamos para Itiquira, onde havia mais facilidade para continuar os estudos, enquanto meus pais e meus irmãos ficavam trabalhando na fazenda. Apesar da enorme distância da zona rural para a escola nós não perdíamos uma aula, saiamos de casa com o brilho das estrelas e a luaainda clara,colocávamos o pé na estrada, e chegávamos na escola com muita vontade de estudar.
JFR; A plantação da chamada lavoura branca, mamão, abobrinha, chuchu, quiabo, banana, laranja era só para o consumo, ou havia também a comercialização desses produtos?
José; Nós levávamos vários produtos para serem vendidos em Itiquira, nos finais de semanaíamos para casa no sítio, momento em que aproveitávamospara colher e posteriormente vender hortaliças na cidade. E assim foi a minhavida até chegar o momento de servir o Exército.
JFR; De que forma o período militar influenciou a sua vida pessoal ?
José;Foi bastante interessante, foram momentos de aprendizagem que até então eu nunca tinha visto. Do quartelextraí muitas coisas boas para a minha vida, aprendi a serum cidadão, a entender e refletir sobre a dignidade das pessoas.
JFR; Como conheceua profissão de garimpeiro, e quando começou?
José;Logo que eu saí do quartel me interessei pelo garimpo,comecei na região de Itiquira, eram momentos muito difíceis, mas superei e me dediquei inteiramente a nova profissão. Para extrair o ouro nós tínhamos que mergulhar, tinha escafandro, oxigênio para mantermos debaixo d´agua por algum tempo.
JFR; Você chegou a ficar nessa busca pelo ouro?
José; Não, eu não fiz fortuna apesar de ter trabalhado na profissão durante muitos anos sempre tive uma vida simplese discreta e dedicada aos meus familiares.
JFR; Qual a importância do Zé Bolero na sua vida?
José; O Zé Bolero foi um grande amigo, um dia ele foi a Itiquiracom o intuito de aprender a arte de garimpar, e eu tive o prazer de ensiná-lo. Em contrapartidaaprendi a com ele a arte da ourivesaria. E assim reciprocamente aprendemos um com o outro, passamos um bom período emItiquira trabalhando no garimpo.
JFR; Como foi a sua vinda para Rondonópolis?
José; Eu cheguei a Rondonópolis em 1963, ano em que comecei a trabalhar na profissão de ourives. O Zé Bolero também retornou a cidadeno mesmo ano e continuou na sua antiga profissãode ourives.
JFR; José, hoje você tem 05 filhos, esposa e muitos amigos, sobretudo por sua atuação no Cursilho da igreja católica, e continua na profissãoourives,qual é a importância da família na sua vida?
José; A família é incontestavelmente o esteio, a basepara o crescimento intelectual, moral e até mesmo financeiro de um cidadão. Conheci a minha esposaJanete de Oliveira Machado aqui em Rondonópolis, nós tivemos uma convivência anterior na escola, e entre idas e vindas acabou dando certo. Assim começamos a construção da família, namoramos enos casamos, temos 05 filhos que sempre nos deram muitas alegrias, Sandra, Solange, Simone, Fábio e Sirlene.
JFR; A profissão de ourives corre o risco de ser extinta?
José; Em tempos anteriores as pessoas eram mais entusiasmadas havia muito interesse até mesmo em colocar ouro nos dentes. Mas com o aumento da violência, ouve uma inibição das pessoas até mesmo no sentido de sair de casa com joias. As pessoas não se sentem seguras, mas sempre há serviços envolvendo o ouro e pedras preciosas, acredito que essa profissão nunca será extinta.
JFR; Para finalizarmos, nessa suatrajetória de vida teve alguém em especial que você gostaria de agradecer, ou relembrar algum fato?
José; Eu passei por um momento de turbulência em minha vida, tive a minha saúde muito debilitada por uma doença. Foram momentos difíceis da minha vida que eu tive a atenção especial do Zé Bolero, agradeço o apoio desse inesquecível amigo. Foi uma honra ser entrevistado pelo JornalFolha Regional.

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