Heusnan Lima Freitas – coordenador geral do Samu Regional

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A coluna Espaço Aberto desta semana traz um bate-papo com o rondonopolitano Heusnan Lima Freitas que ocupa atualmente o cargo de coordenador geral do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu).
Carreira – Aprovado no concurso público, ele atuou por 10 anos no Corpo de Bombeiros Militar, época em que se formou em enfermagem pela Universidade de Várzea Grande (Univag) em 2010. No mesmo ano decidiu abandonar a carreira militar e optou por cursar medicina na Universid de Aquino Bolivia (Udabol) onde concluiu em maio de 2016.
Família – Heusnan conta que veio de uma família de comerciantes, tendo passado sua infância no bairro Morada do Parati. Ele lembra também que nesta época os avós cantavam no circo e eram conhecidos como a dupla Sílvio e Silvinha. Casado e pai de uma menina de quatro anos, ele conta abaixo um pouco da vida profissional e da responsabilidade a frente do comando do Samu.
1. Como surgiu o desejo de seguir carreira na área da Saúde?
Eu era novo e surgiu à vaga no concurso público para o Corpo de Bombeiros Militar, estudei e passei. Quando ingressei no Bombeiro na época com 17 para 18 anos logo despertou a curiosidade pela área da Saúde, eu trabalhei no pré-hospitalar do Corpo de Bombeiro Militar por 10 anos. No ano de 2006, quando servi o Bombeiro em Cuiabá, fiz minha faculdade em enfermagem, depois retornei em 2010 para Rondonópolis quando decidi deixar o concurso e ir para Bolívia fazer medicina. Em 2015, voltei para cá, onde fiz o internato na Upa, Santa Casa e no Samu depois retornei para Bolívia e conclui.
2. Há quanto tempo você está no Samu e como foi esse processo?
Desde fevereiro de 2017, eu faço parte da equipe do Samu. Então, eu entreguei o currículo na Prefeitura e o prefeito Zé Carlos do Pátio viu e me convidou para assumir a coordenação do Samu.
3. Como é assim assumir um cargo de muita responsabilidade? Você sentiu o peso?
Não, não senti não, porque eu já vim do regime militar, é preciso estar acostumado em ambientes com grandes turbulências, ter disciplina. Já desde a formação acadêmica do curso é preciso estar acostumado com as coisas funcionando de forma acelerada.
4. Você sente falta de trabalhar no Corpo de Bombeiro?
Sinto falta sim, mas agora estou em casa, estou de farda também, só mudou a cor. Eu quando atuei no bombeiro atuava na área de resgaste que era Siate (Sistema de Atendimento ao Trauma de Emergência).
5. Você também vai a campo?
Vou, aqui precisou de condutor, eu conduzo a viatura. Faltou socorrista, eu vou na viatura, emergências com grande vítimas, eu vou também, estou de sobreaviso 24h.
6. A palavra chave do Samu é agilidade?
Sim, a agilidade, a gente trabalha contra o tempo, quanto mais demorarmos em chegar naquela vítima e ter o atendimento imediato, pior será o prognóstico que ela vai ter. Então nossa luta é contra o relógio, ainda mais se tratando de uma parada cardiorrespiratória.
7. Há muitas?
Depende do dia. Tem dia que tem três a quatro paradas cardiorrespiratórias, há semana que não tem nenhuma, oscila muito.
8. Quais são as principais ocorrências atendidas pelo Samu?
As principais são traumáticas, nós atendemos aqui cinco ramos da medicina: pediátrica, obstétrica, clínica, psiquiátrica e traumática. Na traumática entra colisão de carro com moto, moto com moto, ferimento de arma de fogo, com arma branca, espancamento e queda da mesma altura.
9. Como é o passo a passo após a solicitação de atendimento ao Samu?
O solicitante entra em contato via 192, a partir do primeiro chamado, a ligação começa a ser gravada. Quem vai atender são nossos telefonistas, profissionais esses que recebem capacitação e treinamento, onde vão começar a fazer a pré-filtragem do atendimento, solicitando o endereço, o nome da vítima e o que tipo de ocorrência que é. Depois de colhida essas informações, ele transfere essa ligação para o médico regulador que usando a telemedicina começa a levantar as informações que achar necessárias para uma hipótese de diagnostico. Após isto, o médico regulador passa para o radio-operador qual a viatura que deve ir ao atendimento, se é a unidade básica de saúde que contém um condutor que é o bombeiro militar e dois técnicos de enfermagem, ou a unidade avançada, que conta com o condutor (bombeiro militar), um enfermeiro e um médico.
10. O Samu conta agora com uma nova central de regulação, estrategicamente favoreceu a localização?
Independente de onde ela fica não vai modificar muito, o que importa é onde estão nossas viaturas em se tratando de agilidade no processo. A nova central atende em termo de estrutura e um ambiente que dá mais qualidade e harmonia para equipe trabalhar, uma vez que eles ficam ali 24h em um local fechado. Vale salientar que o Samu Regional do Sul de Mato Grosso é o único no Estado que tem parceria com o Corpo de Bombeiros que já duram 12 anos. Eu mais do que nunca tenho a segurança que essa parceria valiosa para Mato Grosso, pois o Corpo de Bombeiro já atuava no atendimento pré-hospitalar muito antes de existir SAmu, são profissionais com alto nível técnico.
11. Como é para você trabalhar no Samu?
Você tem que ser mais companheiro com a equipe, dentro da viatura tem vocês três, você sai para uma emergência sem saber o que vai encontrar no cenário, tanto você pode encontrar um cenário tranquilo em uma residência, como você também pode pegar um capotamento. O cenário é inesperado, então todos que trabalham no atendimento pré-hospitalar faz porque ama mesmo.
12. Desde que você está no Samu qual emergência te chamou a atenção?
Nesse ano, onde a minha equipe foi em uma ocorrência de uma vítima com eclampsia. Chegou no local, a vítima já estava em óbito e a médica precisou tomar uma decisão, que eu considero mais difícil de abrir a paciente em uma cesárea de urgência e tentar salvar a vida da criança, foi feito e teve êxito. Hoje a criança está saudável e essa ocorrência foi a que mais me marcou, que me dá orgulho de ter profissionais destas na minha equipe.
13. O Samu ainda recebe muito trote?
Cerca de cinco mil trotes em toda a região, sabemos os horários dos trotes, é quando as crianças estão entrando nas escolas, horário de recreio e na hora que estão indo embora. E aos finais de semana no período noturno quando as pessoas estão bebendo e ligam 192 para ficar ouvindo músicas: “Vou mandar uma música para vocês Samu.” Infelizmente essa é uma prática que ainda acontece, eu clamo para os pais e infratores que fazem isso que uma brincadeira dessas de mau gosto pode custar uma vida e pode ser um parente deles.

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